Souto de Moura recebeu um Leão de Ouro da 16.ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza pelo projeto "São Lourenço do Barrocal", em Monsaraz, no Alentejo, apresentado na grande exposição do Arsenal, onde se encontram projetos de mais de uma centena de arquitetos de todo o mundo.

"É muito bom para Portugal e é inteiramente merecido", salientou contactado pela agência Lusa, o arquiteto que faz dupla na curadoria com Sérgio Mah.

A 16.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza abriu hoje ao público, na cidade italiana, com a participação de Portugal através da exposição "Public Without Rethoric", e o júri entregou o Leão de Ouro de melhor Pavilhão Nacional à Suíça.

Eduardo Souto de Moura está representado com vários projetos na Bienal, desde o Pavilhão de Portugal, à exposição geral no Arsenal, e à capela que projetou para o pavilhão do Vaticano.

"A escolha do júri tem a ver com a postura do arquiteto perante a disciplina. É a leitura que eu faço. Foi sobretudo a forma discreta, simples e subtil de apresentar o projeto de Monsaraz, através de duas fotografias aéreas, com o antes e o depois da intervenção. Esta apresentação subtil contrasta com a parafernália que se vê aqui [nos projetos] na exposição. O júri valorizou tanto a obra como a forma como foi exposta", disse o curador português.

Questionado sobre como está a correr o interesse do público relativamente ao Pavilhão de Portugal, Nuno Brandão Costa falou numa "boa recetividade", e indicou que o projeto português foi considerado um dos cinco mais interessantes a visitar na opinião da revista Domo de arquitetura.

"O Pavilhão de Portugal tem uma apresentação mais disciplinar em que é muito percetível a expressão da arquitetura", apontou Nuno Brandão Costa.

O certame dedicado à arquitetura - cujo prémio máximo é o Leão de Ouro - recebe 65 participações nacionais, divididas entre os pavilhões históricos do Giardini, do Arsenale e do centro histórico de Veneza.

Souto de Moura foi um dos 100 arquitetos convidados pelas curadoras da Bienal da Arquitetura de Veneza, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do Grafton Architects, para a exposição principal, espaço expositivo além dos pavilhões nacionais.

Doze edifícios públicos criados por arquitetos portugueses de várias gerações, nos últimos dez anos, e filmes de quatro artistas constituem a representação de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza, intitulada "Public Without Rethoric", a inaugurar hoje.

O projeto, apresentado em abril último pelos curadores, Nuno Brandão Costa e Sérgio Mah, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, está instalado no Palazzo Giustinian Lolin, sede da Fundação Ugo e Olga Levi, junto ao Grande Canal, em Veneza, entidade com a qual a Direção-Geral das Artes, organizadora da representação portuguesa, assinou um protocolo de utilização para este ano.

André Cepeda, Catarina Mourão, Nuno Cera e Salomé Lamas foram os quatro artistas convidados a criar filmes sobre os edifícios selecionados.

Os 12 edifícios de arquitetos portugueses incluídos na exposição dividem-se pelo país e pelo estrangeiro, com três localizados nos Açores: Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande (João Mendes Ribeiro e Menos é Mais - Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos), Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo (Inês Lobo) e Centro de Visitantes da Gruta das Torres, no Pico (SAMI - Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira).

De Lisboa estão incluídos na lista o Teatro Thalia (Gonçalo Byrne e Barbas Lopes Arquitetos, Diogo Seixas Lopes e Patrícia Barbas) e o Terminal de Cruzeiros (João Luís Carrilho da Graça).

Do Porto, são vários os edifícios que constam da representação portuguesa: I3S - Instituto de Inovação e Investigação em Saúde (Serôdio Furtado Associados - Isabel Furtado e João Pedro Serôdio), Molhes do Douro (Carlos Prata), Pavilhões Expositivos Temporários, "Incerteza Viva: Uma exposição a partir da 32.ª Bienal de São Paulo", Parque de Serralves (depA - Carlos Azevedo, João Crisóstomo e Luís Sobral, Diogo Aguiar Studio, FAHR 021.3 - Filipa Fróis Almeida e Hugo Reis, Fala Atelier - Ana Luísa Soares, Filipe Magalhães e Ahmed Belkhodja e Ottotto, Teresa Otto).

A lista de obras selecionadas inclui ainda o Hangar Centro Náutico, em Montemor-o-Velho (Miguel Figueira), e o Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal (Ricardo Bak Gordon).

Fora de Portugal encontram-se o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours, França (Aires Mateus e Associados - Manuel e Francisco Aires Mateus), e a Estação de Metro Município, em Nápoles, Itália (Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura e Tiago Figueiredo).

A 16.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza estará patente ao público até ao dia 25 de novembro.

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