“Na altura, ponderei seriamente candidatar-me”, escreve Francisco Pinto Balsemão no livro de “Memórias” (Ed. Porto Editora), referindo-se a uma altura (1995) em que Cavaco Silva, que deixara dez anos de poder, “parecia hesitante” quanto a uma corrida a Belém, o PSD era presidido por Fernando Nogueira e “não havia um entusiasmo transbordante” com o ex-líder.

Sondado por várias pessoas sobre uma candidatura, incluindo do PS, Balsemão, cujo VII Governo Constitucional é hoje homenageado pelo Governo, explica que chegou “a ter uma conversa, num almoço no Gambrinus”, com António Guterres, então secretário-geral dos socialistas.

Os argumentos a favor da sua candidatura, recorda, eram que Sampaio “se situava demasiado à esquerda” e que Balsemão “cobria melhor o centro, quer o centro-direita quer o centro-esquerda”, e que, “como sempre, era no centrão que se ganhavam as eleições”.

Também falou com Fernando Nogueira, que sucedeu a Cavaco à frente dos sociais-democratas, mas Pinto Balsemão percebeu que Nogueira “não morria de entusiasmo pela hipótese e, mais do que isso, que já estava comprometido com Cavaco, se este quisesse avançar”.

Como a resposta oficial foi não, Balsemão optou por não avançar “à margem do PSD e muito menos contra o PSD”.

Mais de um ano antes das eleições, já o antigo secretário-geral do PS Jorge Sampaio lançara a candidatura a Belém, antecipando-se ao seu partido. O resto conta a história: Sampaio foi Presidente dez anos (1996-2006), batendo Cavaco, que foi para Belém em 2006.

Sintetiza Balsemão, que elogia o ex-Presidente socialista, que conhece desde o Liceu Pedro Nunes, apesar das diferenças políticas que os separam: “Sampaio ganhou folgadamente e fez duas presidências com um balanço geral positivo”.

Cinco anos depois, em 2001, Durão Barroso, então à frente do PSD, convidou-o a candidatar-se a Belém, mas a “resposta, obviamente, não”.

No livro, o antigo primeiro-ministro interroga-se sobre o que teria acontecido se tivesse ido às urnas com o “apoio efetivo do PSD” e “mais ou menos relutante do CDS”.

Se tivesse perdido, “talvez o mais provável”, teria “sofrido um trauma”, mas passados uns meses a sua vida “teria sido bastante parecida com o que foi”.

Se tivesse ganhado, a sua vida “teria sofrido uma alteração de 180º”, dado que teria sido obrigado a vender o controlo das suas empresas de jornais, revistas e televisão e de deixar de dar aulas na universidade.

Francisco Pinto Balsemão nasceu em 01 de setembro de 1937, em Lisboa. Formou-se em direito, mas foi jornalista, tendo trabalhado no Diário Popular, que pertencia a um tio.

Ainda durante o Estado Novo, foi eleito deputado pela Ala Liberal, juntamente com Sá Carneiro e Mota Amaral, durante o período da chamada “primavera marcelista”, na década de 1970, antes do 25 de Abril de 1975. Fundou o semanário “Expresso”, em 1973, um ano antes do fim da ditadura.

Juntamente com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, fundou o então PPD, hoje PSD. Quando o PSD chegou ao poder, com Sá Carneiro e a Aliança Democrática, de centro-direita, em 1979, foi ministro de Sá Carneiro.

Com a morte de Sá Carneiro, na queda de um avião, em 04 de dezembro de 1980, foi ele o escolhido para liderar o Governo, cargo que ocupou durante dois anos e meio.

Empresário, além do semanário, criou outros projetos de comunicação social, como a SIC – um canal privado de televisão – e mais tarde o canal por cabo SIC-Notícias, dedicado apenas à informação.

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