André Ventura falou “contra tudo e contra todos”, em contexto de pandemia de covid-19 e debaixo de coros de ativistas antifascistas, antirracistas e feministas e de várias comunidades como a dos cidadãos portugueses de etnia cigana ou a LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais), de sul a norte, do interior ao litoral do país.

“Esta campanha é marcada pelos protestos e pela covid-19, tristemente. Mas é algo com que temos de viver. Qualquer sítio onde vá há protestos e isso desvia sempre a mensagem. (…) Desfoca um bocadinho, mas temos tentado passar a mensagem”, disse à agência Lusa.

Seguindo a velha máxima de que não há má publicidade, o líder do recém-formado partido da extrema-direita parlamentar esteve no epicentro da campanha do batom vermelho, que surgiu nas redes sociais em apoio à candidata bloquista após insultos de Ventura e à qual respondeu com “lábios negros de luto” pelo país “destruído nos últimos 46 anos”.

Até agora, o ex-professor de Direito, antigo inspetor da Autoridade Tributária e também consultor jurídico de empresas, além de comentador desportivo, tinha sido cabeça-de-lista pela coligação PSD/PPM em Loures, nas eleições autárquicas de 2017, nas quais terminou em terceiro lugar, com 22%.

Já com o Chega legalizado, o concorrente ao Palácio de Belém disputou como “Número 1” por Lisboa as legislativas de 2019, tendo conquistado um mandato no parlamento, com 1,29% dos votos (67.826).

“Há aqui três candidatos que estão a disputar o campeonato: Marcelo, com uma grande vantagem, Ana Gomes e eu. Não é uma ‘final-four’, mas uma ‘final-three’ (final-a-três), apesar de acreditar que a Marisa vai ter mais do que o valor residual que lhe é atribuído e o João Ferreira um bocadinho menos”, prognosticou.

Num ensaio do partido da extrema-direita parlamentar para as eleições autárquicas de 2021, daqui a cerca de oito meses, “facho”, “racista” e “xenófobo” foram alguns dos insultos que Ventura ouviu estrada fora, na medida do seu discurso radical.

Com 11 dos 13 dias de campanha oficial atrás das costas, os conta-quilómetros da comitiva do Chega registam um total de 2.257 quilómetros, à média diária de 200.

Ventura voltou a veicular a ideia de que é o herdeiro natural do capital político do histórico líder do PPD (PSD), Sá Carneiro, e até se comparou ao “general sem medo”, Humberto Delgado, definindo-se como o futuro “Presidente dos portugueses de bem”, após ter tido o apoio da líder da extrema-direita francesa e Europeia, Marine Le Pen, que se deslocou a Lisboa para o efeito.

Na ronda pelos 18 distritos de Portugal continental, o líder do Chega, sempre acompanhado de três elementos de uma empresa privada de segurança pessoal, foi igualmente protegido pelas forças de segurança: PSP, GNR e até Polícia Marítima, conforme as jurisdições.

O derradeiro dia de apelo ao voto, sexta-feira, vai ser dedicado à Grande Lisboa, num comício de encerramento noturno previsto para a Linha de Sintra, de onde Ventura é natural.

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal no domingo, sendo a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia. A campanha eleitoral começou no dia 10 de janeiro.

Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).

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