Vários membros da direção da Quercus pediram a demissão do presidente, Paulo do Carmo, acusando-o de inviabilizar o trabalho da associação ambientalista por "falta de capacidade e competência" para o cargo.

Numa carta enviada a Paulo do Carmo, os membros da direção referem estar desiludidos, argumentando que "não é normal, nem digno, que um presidente se alheie de tudo e que, ainda mais grave, não comunique com os seus pares da direção nacional ao ponto de ser incapaz de convocar uma reunião".

Em declarações hoje à agência Lusa Paulo do Carmo, que disse não ter recebido qualquer carta daqueles membros, afirmou tratar-se de “um golpe palaciano que visa afastar o presidente no sentido de tentar camuflar coisas que possivelmente a auditoria financeira vai identificar”.

“O antigo presidente e atual tesoureiro [João Branco] ainda não percebeu que já não é presidente há quase oito meses. A Quercus tem 34 anos de existência, de trabalho na sociedade civil. É uma associação ambientalista fundada por sócios. A Quercus é dos sócios e não para alguns dirigentes, familiares e amigos de dirigentes se servirem”, disse.

Na opinião de Paulo do Carmo, “a situação resulta da sua intenção em cumprir o que prometeu aos sócios no dia das eleições” que é “pacificar a associação, dar sustentabilidade financeira, honrar o passado e projetar o futuro”.

“Uma das coisas que tenho tentado fazer é pacificar. Infelizmente há pessoas que querem continuar a fazer processos de perseguição a alguns núcleos regionais”, disse.

O presidente da Quercus disse à Lusa não considerar “normal que uma associação que tinha boa saúde financeira comece a partir de 2015, altura em que João Branco chega à direção, a dar prejuízos todos os anos de mais de 300 mil euros.

“Alguma coisa está errada. Para perceber o que está errado, o conselho fiscal sugeriu que se fizesse uma auditoria financeira à associação nos últimos quatro anos. (…) A auditoria está em curso e é preciso revelar o que se está a passar”, salientou.

De acordo com Paulo do Carmo, a Quercus precisa de estabilidade, mas acima de tudo de transparência para se honrar o passado construído por todas a pessoas que durante 34 anos deram a cara e o seu trabalho pela associação.

A dirigente Aline Guerreiro referiu à Lusa na segunda-feira que Paulo do Carmo "nunca mais respondeu a 'emails' dos seus colegas de direção" desde que alguns se opuseram ao que alegam ter sido "um favor" do presidente da Quercus ao Partido Socialista do Barreiro.

Em causa está um alegado parecer positivo divulgado pelo PS daquela autarquia da Margem Sul, supostamente emitido por Paulo do Carmo - que desmente tê-lo feito - a uma mega-urbanização na Quinta do Brancaamp, no Barreiro, numa zona de Reserva Ecológica Nacional.

“A questão do Barreiro é uma falsa questão. É querer criar um facto de uma coisa completamente legal e transparente para pôr em causa a minha pessoa. Aqui a questão é a presidência da Quercus e os interesses e poderes instalados do passado que têm trazido prejuízos enormes para a Quercus e estes interesses têm de acabar senão a Quercus não terá capacidade para subsistir”, disse Paulo do Carmo à Lusa.

Sobre as reuniões, o presidente da Quercus sublinhou que os estatutos indicam que a direção nacional tem de fazer quatro e estas já se realizaram.

Sobre as demissões, Paulo do Carmo, disse que independentemente do que acontecer, nada vai fazer parar a auditoria.

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