O Gaspar, nome que as investigadoras do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha (CIIMAR) Agatha Gil e Mafalda Correia deram ao primeiro golfinho boto-branco a ser avistado na Península Ibérica, visitou pela primeira vez as águas da foz do rio Douro em 2017, no Porto.

"Um dia fui ver o pôr-do-sol na Foz e foi quando vi algo branco na água. Inicialmente achei que fosse um plástico, mas começou a aproximar-se. Cheguei até a pensar que fosse um tubarão e só depois percebi que afinal era um golfinho", contou Agatha Gil.

Em declarações à Lusa, a investigadora explicou que desde então o Gaspar, que é considerado um animal leucístico (por ter uma coloração anómala da cor), tem vindo a ser monitorizado pela equipa de investigadores do CIIMAR, com sede em Matosinhos, no âmbito do projeto CETUS.

"O Gaspar tem um comportamento bastante peculiar, porque é o único que se aproxima menos de cinco metros da praia do Molhe, no Porto, e está sempre a brincar com peixe", contou, adiantando que o animal é maioritariamente de cor branca, tendo apenas algumas pintas pretas no dorso e um pequeno corte na barbatana dorsal.

À Lusa, Mafalda Correia afirmou que, apesar das investigadoras ainda não terem a certeza, os pescadores da zona afirmam que o golfinho "deve ser uma fêmea", uma vez que já o avistaram acompanhado por um filhote.

Apesar de existirem registos de animais leucísticos na Califórnia (Estados Unidos da América) e em Inglaterra, o Gaspar é o primeiro animal ibérico com estas características a ser registado.

"Estamos sempre em contacto com os especialistas que trabalham com estes animais. Um dos especialistas é da Califórnia e quando viu as fotos do Gaspar disse-nos que é o animal leucístico mais bonito do mundo", salientou a investigadora.

O projeto CETUS, desenvolvido desde 2012 por uma equipa de quatro investigadores do CIIMAR e realizado em parceria com a empresa TransInsular e o Instituto Hidrográfico, tem vindo a recolher informações sobre a distribuição e abundância de cetáceos em áreas remotas e pouco estudadas, como é o caso das águas do norte de Portugal e a região da foz do rio Douro.

Além da costa portuguesa, a equipa monitoriza também a região da Macaronésia (arquipélago dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) com o objetivo de recolher dados sobre golfinhos e baleias de modo a conseguir determinar a sua abundância na região do oceano Atlântico.

Desde 2012, os investigadores já conseguiram identificar mais de 27 espécies, sendo que 20 espécies de golfinhos frequentemente visitam a costa portuguesa, sendo a espécie mais abundante o 'golfinho comum'.

Todos os anos, voluntários de vários cantos do mundo juntam-se à equipa de investigadores para embarcarem em navios de carga para a missão e registarem as diferentes espécies.

Segundo Mafalda Correia, o grupo conta este ano com cinco voluntários da Austrália, Escócia, Espanha e Inglaterra.

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