Numa reportagem publicada na madrugada de hoje, o 'site' investigativo mostra mensagens dos procuradores da Lava Jato de Curitiba, onde as investigações começaram, na aplicação Telegram, alegadamente trocadas em maio de 2017, quando procuradores da Lava Jato que trabalhavam na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, faziam denúncias contra o ex-Presidente Michel Temer, acusado de corrupção por delatores da fabricante de carnes JBS.

Na época, causava polémica uma gravação em áudio na qual Temer terá dito a um empresário e acionista do grupo JBS, chamado Joesley Batista, que ele deveria "manter isto", referindo-se ao pagamento de subornos pelo silêncio do ex-deputado (membro da câmara baixa parlamentar) Eduardo Cunha, preso e condenado nos esquemas de corrupção da estatal Petrobras.

O Governo e parte da imprensa questionaram se aquele áudio poderia ter sido editado e os procuradores de Curitiba, que haviam segurado a denúncia contra Lula da Silva no processo sobre a quinta para aumentar a sua repercussão, decidiram então que deveriam divulgar o conteúdo para distrair a opinião pública até que uma perícia sobre a gravação do diálogo de Temer com Joesley Batista ficasse pronta, indicam as mensagens publicadas pelo The Intercept.

Lula da Silva foi condenado, em fevereiro deste ano, a 12 anos e 11 meses por corrupção e branqueamento de capitais, neste processo sobre a posse e as reformas de uma quinta localizada na cidade de Atibaia, no interior do estado de São Paulo.

A sentença foi proferida pela juíza substituta Gabriela Hardt.

Os procuradores alegaram na denúncia que Lula da Silva terá recebido como suborno das construtoras Odebrecht e OAS reformar na quinta e que, embora o local pertencesse legalmente a um amigo, Lula da Silva era o dono de facto do imóvel.

A sentença foi contestada pelos advogados de Lula da Silva, que além de rebaterem a tese da acusação, apontaram que a decisão teria partes copiadas de uma condenação anterior contra o ex-Presidente escrita pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, num processo sobre a posse de um apartamento de luxo no litoral de São Paulo.

A sentença de condenação baseada nas investigações sobre a quinta em Atibaia cita a palavra apartamento em alguns trechos e também traz outros problemas apontados pelos advogados de defesa do antigo chefe de Estado brasileiro.

Em maio deste ano, a juíza Gabriela Hardt confirmou publicamente que usou a sentença dada por Moro como base, mas alegou ser uma prática comum que não influenciou a sua decisão.

O ex-juiz Moro e membros do grupo de trabalho da Lava Jato estão envolvidos num escândalo, conhecido como "Vaza Jato", que começou em 09 de junho, quando o The Intercept Brasil e outros 'media' parceiros começaram a divulgar reportagens que colocam em causa a imparcialidade da maior Operação contra a corrupção no país.

Baseadas em informações obtidas de uma fonte não identificada, estas reportagens apontam que Moro terá orientado os procuradores da Lava Jato, indicado linhas de investigação e adiantado decisões enquanto era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

Se confirmadas, as denúncias indicam uma atuação ilegal do antigo magistrado e dos procuradores brasileiros porque, segundo a legislação do país, os juízes devem manter a isenção e, portanto, estão proibidos de auxiliar as partes envolvidas nos processos.

Moro e os procuradores da Lava Jato, por seu turno, negam terem cometido irregularidades e fazem críticas às reportagens do The Intercept e seus parceiros (Folha de S. Paulo, revista Veja, El País e o jornalista Reinaldo Azevedo), afirmando que são sensacionalistas e usam conversas que podem ter sido adulteradas e foram obtidas através de crime cibernético.

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