“Uma coligação com o PS é difícil e não é desejável. Portugal não precisa de um bloco central de partidos, também não precisa de um bloco central de interesses, mas precisava de um bloco central de políticas”, considerou o ex-deputado, em declarações à Lusa.

Questionado sobre a eleição para a presidência do PSD, que é hoje decidida entre o atual líder, Rui Rio, e Paulo Rangel, eurodeputado e ex-líder parlamentar social-democrata, salientou que não se trata apenas de uma escolha entre ideias.

“Creio que os militantes do PSD também olharão para esse fator, tentando identificar em cada uma das personalidades em causa aquele que melhor poderá protagonizar o desafio eleitoral que vamos ter pela frente [eleições legislativas]”, disse.

Sem querer apontar preferências ou expectativas sobre os resultados das eleições diretas que ainda decorrem, o ex-deputado alertou que quem for eleito “tem um minuto para começar a trabalhar de uma forma absolutamente direcionada para vencer as próximas eleições legislativas”.

Ainda sobre cenários pós-legislativas, segundo Luís Montenegro, que em 2019 perdeu a eleição para a liderança social-democrata para Rui Rio, “o país precisava que o PSD e o PS se entendessem quanto aos eixos fundamentais das principais politicas públicas”, salientando que o problema é que “o PS não quer”.

Para o ex-líder parlamentar social-democrata, a forma mais “expedita e eficiente” para formar Governo “seria ganhar com uma maioria absoluta”.

“Sabemos que hoje em dia, com o espetro político partidário que temos em Portugal, é cada vez mais difícil obter um resultado que permita a um partido sozinho ter essa maioria de deputados no parlamento. Se não conseguirmos isso sozinhos, temos de ir à procura de uma solução que garanta estabilidade e capacidade de levar reformas até ao fim”, sustentou.

Montenegro revelou ainda que não tenciona voltar à vida parlamentar, mas não põe de lado outros desafios.

“Eu não tenciono, neste momento, voltar à vida parlamentar, o que não quer dizer que não esteja absolutamente e completamente disponível para ajudar o líder eleito a enfrentar o desafio e a poder vencê-lo. Neste momento, não tenho cargos partidários, não tenho cargos políticos, admito que possa vir a ter alguns, mas não esses”, concluiu.

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