“Dos alojamentos da Airbnb listados em Lisboa, 30% não têm qualquer licença para operar e 17% não utilizam uma licença única para os imóveis registados. No total, 47% dos alojamentos em Lisboa registados na plataforma Airbnb não dispõem de uma licença válida”, adianta o estudo de José Pedro Lopes e Manuel Banza, alunos da pós-graduação em Data Science for Hospitality & Tourism, da Universidade Nova de Lisboa.

Propondo a implementação de um processo de aprovação de licenças pelo Turismo de Portugal, os autores explicam que encontraram “casos de licenças cujos espaços são deixados em branco ou são preenchidos com ‘Airbnb123’”.

“No caso mais extremo, encontrámos a mesma licença a ser utilizada para 24 imóveis. A cada imóvel deveria pertencer uma única licença”, salientou Manuel Banza, citado em comunicado.

Segundo o estudo, os dados, recolhidos em outubro de 2019, revelam a existência de um negócio em “forte crescimento”.

“Desde 2016, o número de imóveis listados nesta plataforma, em Lisboa, mais do que triplicou, de 8.000 para 25.134 imóveis no final de 2019”, divulga o ensaio dos alunos da NOVA Information Management School (NOVA IMS).

De acordo com a análise, Lisboa encontra-se na lista das 10 cidades mundiais com maior oferta de alojamento local na Airbnb, sendo que é nas freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Arroios onde se concentra a maior oferta, representando, em conjunto, 36% do total de imóveis registados na capital.

“Lisboa é, entre as 10 principais cidades mundiais, aquela onde existe uma maior preponderância de ‘hosts’ [anfitriões, em tradução livre] com múltiplos alojamentos listados. 73% dos ‘hosts’ têm pelo menos dois imóveis listados, o que compara com Paris (30%), Berlim (34%) ou Milão (45%)”, revela o estudo.

A investigação desenvolvida no âmbito da pós-graduação em Business Analytics for Hospitality & Tourism da NOVA IMS acrescenta que o maior ‘host’ em Lisboa tem 264 imóveis registados e que oito dos 10 maiores ‘hosts’ são empresas.

O estudo tem como objetivo preparar “profissionais capazes de desenvolver e aplicar modelos analíticos para o turismo, combinando as diversas áreas envolvidas no turismo com uma abordagem transversal de ciência dos dados para as alavancar”.

A agência Lusa tentou contactar a Airbnb para obter mais informações, mas sem sucesso.

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