A 14 de novembro, Steve Mnuchin foi visto a entrar na Trump Tower, em Nova Iorque, tendo a Bloomberg citado duas fontes que asseguravam que o seu nome fora recomendado ao presidente eleito para integrar a nova administração. Agora, é o New York Times a citar fontes próximas do processo que dão como praticamente certa a escolha de Steven Mnuchin para ocupar o lugar de Secretário do Tesouro.

Tem 53 anos, formou-se em Yale e esteve durante 17 anos no Goldman Sachs. Acabou por abandonar o mundo de Wall Street em 2002 para se lançar na produção de filmes em Hollywood. O franchise "X-Men" e o filme de James Cameron, "Avatar" (2009) foram financiados e produzidos pela Dune Capital Management, empresa da qual é CEO e co-fundador. O último que a sua empresa produziu foi "Esquadrão Suicida", segundo o Jornal de Negócios, citando a Fox News.

Como secretário do Tesouro, Mnuchin vai desempenhar um papel importante ao delinear as políticas e propostas económicas da administração Trump, que - citando o mote de campanha presidencial - prometem fazer a "America Grande Novamente". Aqui inclui-se o prometido corte nos impostos, ou as alterações aos tratados de comércio existentes.

Em entrevista à CNBC, Mnuchin disse acreditar que o aumento das despesas públicas, a redução de impostos e a desregulamentação financeira vão gerar mais emprego (cerca de 25 milhões postos de trabalho nos próximos dez anos), aumentando a taxa de crescimento para 3,5%.

Dentro das responsabilidades do futuro secretário do Tesouro vão estar também decisões relativas à política externa norte-americana, com temas de peso em cima da mesa, como o embargo económico a Cuba (que em julho de 2015 restabeleceu relações diplomáticas com os EUA, depois de mais de 50 anos de costas voltadas), ou as sanções nucleares ao Irão (levantadas na sequência do acordo nuclear).

A seleção de Mnuchin, a ser confirmada, é uma contradição face à postura de Trump durante a campanha. O presidente eleito, desde o primeiro momento, assumiu uma posição anti-establishment e sempre disse estar a lutar contra "os amigos dos Clinton" de Wall Street. Durante um dos seus discursos, o magnata de 70 anos chegou mesmo a caracterizar o presidente-executivo do Goldman Sachs como sendo a personificação de uma elite global que tinha "roubado a nossa classe operária".

Em Mnuchin, Trump tem, no entanto, um aliado cuja nomeação deve ser bem recebida em Wall Street, de acordo com o New York Times. Ter um secretário do Tesouro com o currículo de Mnuchin sustenta a hipótese de que Trump vai olhar - ao contrário do que foi dizendo durante a campanha - favoravelmente para Wall Street. A confirmar-se, será o terceiro antigo executivo do Goldman Sachs a ficar responsável pela tesouraria dos Estados Unidos.

Arrancado de uma relativa obscuridade política por Trump para liderar a sua campanha de angariação de fundos, Mnnuchin esteve envolvido em negócios antigos com o presidente eleito - mas nem sempre sob as melhores circunstâncias. O fundo de Mnuchin, a Dune Capital Management, ajudou a financiar a construção de um projeto Trump em Chicago. Mais tarde, em 2008, Trump acabaria por processar a Dune e outros credores para estender os termos do empréstimo. No entanto, as partes acabariam por chegar a acordo.

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