O domingo é um dia esquisito. Não tem uma rotina própria, é livre para a maioria das pessoas, mas o facto de ter uma escarpa que nos faz cair diretamente na segunda-feira faz com que não possamos abusar da sua liberdade. É pior que o sábado. Os cafés, lojas e restaurantes ou estão fechados ou com horário condicionado. Uns passam-no em família, outros de ressaca, uns relaxam, outros passeiam. Obviamente, tudo isto num mundo em que os domingos podiam ser tudo isto.

Hoje, os domingos ainda não são a mesma coisa neste caminho até a ansiada normalidade, em que se nos esquecemos da máscara em casa temos de ficar à porta de um café a fazer mímica para tentar apelar à generosidade dos funcionários até que consigamos que o café venha até à esplanada. Com o mundo condicionado, o domingo perdeu a sua imprevisibilidade e, na mesma dimensão dos outros dias da semana, o dia da liberdade relativa ficou completamente relativizado.

Quando acordei e fiz scroll nos jornais, achei que ia ser um desses novos domingos, com pouco espaço para acontecerem coisas. Felizmente, estava enganado. O regresso - em segurança - dos astronautas Doug Hurley e Bob Behnke, na cápsula Dragon, da SpaceX, depois de pouco mais de dois meses na Estação Espacial Internacional, naquela que foi a primeira ida ao espaço de uma empresa privada, e a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prémio da Grã-Bretanha, depois de fazer a última volta apenas com três pneus, perseguido até ao último momento por Max Verstappen, da Red Bull - uma analogia perfeita para compor o retrato dos últimos meses, coxos, mas à procura da vitória num ano que ninguém esperava viver - fez-me lembrar que seja de que tamanho forem os domingos, sejam em que altura for, ainda há tempo para fazer algo espetacular. De marcar a história da exploração espacial à superação pessoal, não há aqui nada que se possa relativizar.

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