O deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra e o colapso de um troço de cerca de 100 metros da estrada municipal 255 para o interior de duas pedreiras contíguas ocorreram no dia 19 de novembro no distrito de Évora.

O acidente provocou a morte de dois operários de uma empresa de extração de mármore que estavam a trabalhar na pedreira que se encontrava ativa, e de três homens que seguiam em duas viaturas no troço da estrada que ruiu e caíram no plano de água da outra pedreira, inativa.

Sobre o acidente em Borba, a Quercus sublinha que foi causado pela exploração exaustiva dos recursos naturais, “onde os valores económicos se sobrepuseram aos critérios ambientais e de segurança”.

“Não é apenas um exemplo da falta de uma política de prevenção, que infelizmente tem vindo a ser cada vez mais comum em Portugal, com consequências a lamentar pela perda de vidas humanas, mas uma imagem do que se passa a nível mundial, com a exploração desenfreada de recursos naturais”, considera a Quercus em comunicado.

A organização ambientalista afirma também que Portugal não atingiu os objetivos do PERSU2020, o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos.

O processo de decisão do novo aeroporto de Lisboa no Montijo e o corte de azinheiras no Alto Alentejo estão igualmente entre os acontecimentos destacados pela Quercus como negativos.

Como positivo, os ambientalistas destacam a mensagem política de proteção às espécies florestais autóctones, o abandono da prospeção de petróleo em Aljezur, o encerramento da central nuclear de Almaraz, em Espanha, até junho de 2024 e a suspensão das licenças para exploração de gás na zona centro.

Para o futuro, a Quercus diz que o grande desafio passa por conseguir conciliar o crescimento económico em todas as vertentes com “atitudes individuais e coletivas mais respeitadoras do ambiente”.

A organização indica ainda que, de acordo com os dados publicados no mais recente relatório do Estado do Ambiente, Portugal não vai atingir os objetivos preconizados no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU2020), que passavam pela redução de 7,6% da produção de resíduos em peso, face aos valores de 2012.

“Portugal está a piorar o seu desempenho ambiental a este nível e isso traduz-se também numa sobrecarga de perto de 10 milhões de euros/ano adicionais para fazer face aos custos de não fazer esta redução e num acréscimo de emissões de CO2, a nível nacional”, escreve a Quercus no documento divulgado esta quinta-feira.

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