"Estou super contente com a minha performance", afirmou João Almeida (Deceuninck-QuickStep) após ter conseguido manter a liderança da classificação geral da Volta à Itália na 15.ª etapa da prova, que decorreu neste domingo. Hoje, ficou em quarto, a 37 segundos do britânico Geoghegan Hart, que cumpriu os 185 quilómetros entre a base aérea de Rivolto e Piancavallo em 4:58.52 horas.

Arrisco dizer que não é só o jovem das Caldas da Rainha que está contente. O país também. Afinal, aos 22 anos, está a colocar o nome do clicismo português no mapa global. Não é um futebolista famoso nem protagonizou uma transferência milionária. É só um ciclista que está a exceder as expectativas e a liderar uma das principais provas do ciclismo mundial.

O ciclista é natural da freguesia de A-dos-Francos, localizada no Oeste, no distrito de Leiria, que por estes dias está pintada de rosa, e até o capitão da equipa de futebol das Caldas já entrou em campo com uma braçadeira daquela cor para simbolizar que o feito não está passar incólume.

"A ideia não surgiu da minha parte, mas dos responsáveis do clube, porque o João é de A-dos-Francos, e esta zona está bastante mobilizada, está a viver isto com muita emoção, intensidade, quer apoiar bastante o João. Foi a forma que o clube arranjou de lhe prestar homenagem e lhe dar força para que continue a fazer história", conta à Lusa Thomas Militão, defesa-central e homem da braçadeira da turma caldense.

João Almeida segurou hoje a liderança, mas foi uma etapa bastante sofrida. "Para mim foi de longe a etapa mais difícil até agora, ainda mais do que Etna [o seu maior teste desde que veste rosa]", atirou o ciclista antes de salientar que teve de ir aos seus "limites" e que foi um "sofrimento até ao final".

Não obstante a dor física, não faltou a tal emoção e intensidade descritas pelo capitão do Caldas. Especialmente, diria, de caráter e sacrifício. É que além de difícil foi igualmente solitária. Tanto que os companheiros de equipa não conseguiram aguentar o ritmo e o português andou sozinho. E foi dura também porque o holandês Wilco Kelderman (Sunweb) se aproximou da camisola rosa. Mas aproximar e estar perto não significa que esteja com ela vestida.

É que a camisola rosa só veste quem lidera o Giro. Ou seja, a alta montanha hoje foi muito dura e difícil, mas não o suficiente para que João Almeida deixe de liderar a Volta a Itália. Almeida perdeu 35 segundos para Kelderman, mas a realidade é que a concorrência (Nibali e Bilbao) cedeu e está mais distante.

Ora, tudo isto para dizer que no cume do pódio fala-se na língua de Camões há 13 dias consecutivos. É verdade que depois da etapa de hoje por apenas quinze segundos. Mas nem que fosse por um. Porque independente do desfecho da Volta à Itália, seja que lugar ocupar na geral na derradeira e última etapa, na opinião deste que assina a crónica, o João já ganhou.

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