Em entrevista à RTP3 na quarta-feira à noite, conduzida por Vítor Gonçalves, no dia em que foi chumbado o Orçamento do Estado para 2022, o eurodeputado defendeu eleições num “prazo rápido, mas razoável” sem prejudicar a democracia interno de partidos de centro-direita com eleições próximas, como o PSD, o CDS-PP e o Chega, e sem querer apontar uma data.

Questionado sobre as críticas do atual presidente do PSD e recandidato ao cargo Rui Rio à audiência que lhe foi concedida na terça-feira por Marcelo Rebelo de Sousa, Rangel classificou-a como “a coisa mais natural do mundo”.

“Assim que apresentei a candidatura ao PSD pedi uma audiência de cortesia ao Presidente da República para explicar as razões da candidatura. O Presidente da República agendou para o dia de ontem. É natural que alguém candidato à liderança do maior partido da oposição e que aspira a governar Portugal dentro de meses seja recebido pelo Presidente”, considerou.

Sobre as críticas de Rui Rio, que considerou “muito estranho” o encontro e as notícias que davam conta de que teriam relação com o calendário interno do PSD, Rangel aconselhou o presidente do PSD a não se vitimizar.

“Não é normal um Presidente da República ouvir todas as pessoas que quiser? Mas agora é um líder de um partido que diz quem é que o Presidente pode ouvir e em que dias?”, questionou.

Sobre a estratégia com que se apresentará a eleições legislativas, se for eleito presidente do PSD nas diretas de 4 de dezembro, Rangel reiterou que quer restaurar a “vocação maioritária” do PSD, e garantiu que, consigo como líder, "não haverá uma solução de bloco central".

“Porque a geringonça se esgotou, porque não faz sentido um bloco central, é possível cativar os votos dos portugueses para uma solução política estável em que o PSD seja o partido liderante”, defendeu, considerando que essa “maioria estável” é possível com “um líder capaz de mobilizar e galvanizar, que não esteja esgotado e exausto”.

Sobre eventuais coligações pré-eleitorais, disse não querer precipitar-se, mas afirmou que neste momento considera que “o PSD deve apresentar-se sozinho a eleições em 2022”.

“Admito que o PSD pode convencer o seu líder de que é melhor encontrar outra alternativa, mas do meu ponto de vista o PSD deve ir sozinho”, afirmou, apontando o CDS e IL como parceiros de diálogo pós-eleições.

“Vamos pedir uma maioria estável, se me dessem maioria absoluta tanto melhor”, disse.

Questionado se as eleições diretas do PSD pouco antes de legislativas não podem prejudicar o partido, Rangel disse que “depende da atitude dos candidatos” e que, se estes falarem para o país, o processo interno até pode ser encarado como umas primárias em que “se escolhe o candidato a primeiro-ministro”.

o eurodeputado defendeu que o ‘chumbo’ do Orçamento demonstra que o voto no PS nas próximas legislativas “será inútil”, porque este partido não conseguirá governar à esquerda depois do “divórcio litigioso” com BE e PCP, e que “só há uma alternativa para um governo estável em Portugal”, que é o PSD.

No entanto, e ao contrário de Rui Rio, Rangel considerou que o Governo “faz bem” em não se demitir, dizendo que “é melhor ter um Governo em plenitude de funções” até às próximas eleições.

À crítica lançada na semana passada por Rio de que tinha tido “o pior resultado de sempre” nas europeias de 2019, Rangel salientou que foi o atual presidente do PSD a escolhê-lo como candidato e voltou a ligar o mau resultado do partido - como tinha feito no Conselho Nacional e na apresentação pública da candidatura - à opção da direção em se aliar à esquerda nas reivindicações de tempo de serviço dos professores.

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