Nasce aqui ao lado, na Galiza, atravessa o Alto Minho e vai desaguar ao Atlântico. A água, que atravessa os seus mais de 100 quilómetros de extensão, entra em Portugal pelas portas da freguesia de Lindoso, contorna o Gerês, passa em Ponte da Barca e Ponte de Lima, terra com quem partilha o nome, e termina o percurso em Viana do Castelo. Em tempos, o Rio Lima estabelecia uma ligação importante entre as várias regiões por onde passava e chegaram a estar mais de 50 embarcações atracadas em Ponte de Lima, que faziam o transporte de mercadorias para Viana. Hoje em dia, o caudal do rio é invadido pelos novas práticas aquáticas, como o paddle ou a canoagem, mas ainda há quem faça por manter a arte de velejar viva.

Tem pouco menos de um ano e é essa a vocação deste modelo Água-Arriba, uma réplica fiel artesanal dos barcos que aqui circulavam no século XX e deixaram de ser vistos a partir dos anos 60.

O mestre Caninhas entra e vai para a parte de trás, enquanto o companheiro Amélio fica encarregue de recolher o pedaço de madeira que dá acesso à embarcação e ocupa o seu lugar na ponta dianteira. Hoje não há vento, por isso a vela não desce. Teria sido pior há várias décadas, quando não havia engenhos e as viagens estavam dependentes do sabor do vento ou da força do rio. Hoje em dia, o motor faz com os dois possam saborear o Lima sem qualquer problema.

O passeio é feito rio acima em direção a Ponte da Barca. O rio, que hoje em dia tem pouco mais de um metro e meio de profundidade, está cheio de algas, o que exige algumas vezes a intervenção de ‘Mélio, que, com uma vara, ajuda a orientar a embarcação na direção certa. À volta, a vegetação verde entra no rio, com ocasionais praias fluviais, onde quem pode aproveita o sol e toma banho na água fresca do Lima. No fundo, pouco mais se ouve para além do som do rio, do motor do barco e da natureza.

Naturais de Lanheses, a poucos quilómetros de distância de ponte de Lima, os dois amigos fizeram parte dos portugueses que emigraram para França para trabalhar. Quando Caninhas voltou, há cerca de 20 anos, decidiu que uma das primeiras coisas a fazer seria pedir a um conhecido que o ajudasse a fazer o seu primeiro barco. A partir daí, as “luzes” ficaram e desde então nunca parou de se dedicar a esta paixão.

Ao ‘mestre’ juntaram-se mais tarde os conhecimentos de carpintaria de Amélio, uma ajuda fundamental para alimentar um bichinho que havia crescido desde pequeno. “Quando era miúdo, pescava muito no rio com o meu pai. E já na altura eu dizia “Quando eu for grande também hei-de fazer um barquinho para mim!”.

Mas este não é só um barquinho. Tem 15 metros de comprimento, 5 metros de largura e demorou mais de 850 horas, o equivalente a cerca de 3 meses, a ser construído. Hoje em dia, são eles os dois dos poucos que sabem fazer este tipo de embarcação.

Juntos, trabalharam para que, em setembro do ano passado, mais de 30 pessoas se reunissem à beira do Lima e ajudassem a virar o barco, que iria conhecer pela primeira vez o caudal do rio. Mas não foi a primeira embarcação que fizeram. Entre maiores e mais pequenos, este é o décimo quinto barco que nasce pelas mãos de Caninhas e ‘Mélio.

O processo, segundo o mestre Caninhas, é simples. “É preciso ir ao monte cortar pinheiros, este foi feito com dois, daqueles bem abastados, escolhidos por nós. Depois é mandá-los cerrar, tratar a madeira, secar, e começar a construir.” Pela descrição de Caninhas, fazer um Água Arriba parece um processo simples, lógico e matemático, mas o truque, e isso é algo mais raro de encontrar, está na sabedoria e no amor pelos barcos.

A proposta para a construção deste Água Arriba veio da Câmara Municipal, mas neste, como em todos os outros 14 barcos feitos por Caninhas, não houve dinheiro envolvido. “Um barco destes tem o valor de 10 ou 15 mil euros e custou zero, foi feito por gosto e por amor à camisola”.

Atualmente, o Água Arriba “Ponte de Lima” pertence à Câmara Municipal e está a ser discutida a exploração por parte do Clube Náutico, mas, para isso, é preciso que haja encartados capazes de o navegar. Até lá, o mestre Caninhas e o companheiro ‘Mélio vão continuar a sair para dar as suas voltinhas e aproveitarem aquilo de melhor que o Lima tem para dar. No final do dia, o mais importante é não deixar morrer a arte e o amor por velejar um Água Arriba.

Um lugar perfeito - isso existe

Vamos subindo, subindo, subindo. A viagem confirma a frase que tantas vezes se ouve - o que importa é o caminho, não o destino. Porque serra da Arga acima é um daqueles caminhos que nos obrigam a parar em sítios pouco prováveis, quando a reentrância da estrada o permite, porque sabemos antes de ver que o que os nossos olhos alcançam será imperdível. E assim continuamos, serra acima, até que paramos aqui.

Aqui é, à primeira vista, mais uma reentrância na estrada, onde podemos parar e olhar. Só que aqui quando olhamos, vemos além da paisagem que nos tira o ar, um lugar lá em baixo, algo que se assemelha a um daqueles atrelados para cavalos (e talvez seja) mas que se apresenta como um bar improvisado no meio da serra.

"Que ideia mais doida". É com um sorriso que o pensamento nos ocorre - uma ideia doida na categoria do doida genial, já que poder tomar um copo e provar um petisco quando nada nos fazia acreditar ser possível que o sítio deslumbrante onde estamos pudesse ficar ainda melhor.

É possível desde 2015, um ano depois de Filipe Pimenta, um empresário local, ter decidido que aquele era mesmo o lugar ideal para erguer a Cerquido Village, um espaço que hoje contempla alojamento e piscina interior aquecida de água salgada e um jacuzzi spa (que a partir de 2019 passou a ter também uma piscina infinita de água salgada e outro jacuzzi spa com um sistema inovador de cromoterapia).

A curiosidade sobre o lugar e as referências é explicada no site do projeto. Ideias a reter:

- No Minho diz-se Cerquido, mas para a maioria, a palavra mais comum é carvalhal ou souto de carvalhos cerquinhos

- Os promotores do Cerquido Village decidiram combinar a palavra "Cerquido" que tem origem no origem no Minho com a palavra "Village" (aldeia), utilizada na língua inglesa e francesa porque têm como objetivo que "aqui encontre a sua casa longe de casa"

Feitas as apresentações, nada melhor que ficar com as imagens. E ficar com vontade de ir.

Uma sugestão de roteiro

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