Segundo a informação recolhida pelo portal estatístico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o poder de compra padrão (PPS) em Portugal em 2016 era de 25.881 PPS, com o país a ocupar o 18º. lugar de uma lista liderada pelo Luxemburgo (com 54.547 PPS).

A PPS, a sigla em inglês de 'Purshasing Power Standard', é uma moeda fictícia que serve para comparar os níveis de bem-estar e de despesa entre os países, anulando as diferenças dos níveis de preços.

No Retrato de Portugal na Europa, lançado hoje no âmbito do Dia Europeu das Estatísticas, o Pordata refere que a média da UE no ano passado era de 35.754 PPS.

Os últimos lugares da lista são ocupados pela Hungria, a Roménia e a Bulgária, este último com 16.044 PPS.

Ao nível do salário mínimo nacional, em 2016 Portugal ocupava o 11º. lugar da lista dos países da UE, com 711 PPS, com o Luxemburgo (com 1.615 PPS) e a Bulgária (491 PPS) a apresentarem-se em primeiro e em último lugar, respetivamente.

Ainda neste retrato estatístico, Portugal apresenta-se com a terceira taxa mais elevada na União Europeia (UE) de população empregada com contrato temporário de trabalho.

Trabalhadores com contrato temporário aumentaram em Portugal

O número de trabalhadores com contratos temporários aumentou entre 2000 e 2016 e o país tem agora 22,3% da sua população empregada com vínculo temporário, acima da média comunitária de 14,2%. Portugal surge em terceiro lugar, depois da Polónia (27,5%) e de Espanha, que reduziu a percentagem de trabalhadores temporários na última década.

Itália, Dinamarca e Alemanha surgem próximos da média da UE.

A Roménia, por sua vez, ocupa o 28º. lugar da lista, com uma percentagem de 1,4% da população empregada vinculada a um contrato de trabalho temporário.

No que se refere a contratos de trabalho a tempo parcial, Portugal ocupa a 16.ª posição na lista dos países da UE, com 11,9% do total da população empregada vinculados a este tipo de contrato.

A média dos países da UE encontra-se nos 20,4%, estando próximos deste valor o Luxemburgo, a Itália e França, numa lista liderada pelos Países Baixos (50,5%), com a Bulgária em último lugar (2,2%).

Somos o terceiro país da UE,  depois da Grécia e de Itália, com mais despesas em pensões

No que respeita a pensões, Portugal é o terceiro país da União Europeia,  depois da Grécia e de Itália, com mais despesas em pensões, em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB). A despesa em pensões representa 15,6% do PIB português, enquanto na média dos países da UE é de 12,6%.

Itália, com 17,1% é o país que apresenta a maior despesa com pensões em percentagem do PIB e a Irlanda, com 6,4%, representa o país com o valor mais baixo da lista.

Em Portugal por cada 100 ativos há 57,7% de pensionistas, ocupando o 11º. lugar da lista dos países da UE, com a Bulgária em primeiro lugar (64,8%) e Chipre em último (31%).

Nem pequeno, nem um país de doutores e engenheiros

As estatísticas permitem elaborar um retrato de Portugal e derrubar alguns mitos ao perceber que não é um país pequeno, em superfície ou população, nem é um país de doutores e engenheiros, disse hoje a responsável da Pordata.

"Sabemos que Portugal, no contexto da União Europeia [UE], não ocupa uma posição determinada, não somos sempre nem os piores nem os melhores nem os assim-assim, isto vai variando consoante as áreas e os setores", referiu a diretora da Pordata, Maria João Valente Rosa.

"Muitas vezes dizemos [que] Portugal é um país pequeno e, olhando para dois indicadores que estão no retrato, podemos concluir que Portugal, de facto, não é um país pequeno", quer em termos de superfície - é o 13.º país em termos de área, nos 28 [Estados-membros da UE] -, [ou] no que diz respeito à população - Portugal ocupa o 12.º lugar, é o 12.º país mais populoso da UE, especificou.

A especialista falava à agência Lusa a propósito do lançamento do "Retrato de Portugal na Europa", uma publicação da Fundação Francisco Manuel dos Santos produzida pela Pordata, para assinalar o Dia Europeu das Estatísticas, que hoje se assinala.

O documento junta cerca de 90 indicadores de Portugal e dos restantes Estados-membros da UE divididos por 11 áreas, como população, rendimento, educação, saúde, emprego, proteção social, ciência ambiente ou transportes.

"As estatísticas contam as histórias que somos e ajudam-nos a conhecermo-nos melhor" esclarecendo alguns mitos e ideias de Portugal no contexto da UE, defendeu Maria João Valente Rosa.

Além da dimensão, "uma outra ideia que muitas vezes se tem é que Portugal é um país de doutores e engenheiros e não é verdade. Olhamos, por exemplo, para os níveis de escolaridade da população de Portugal e percebemos que estamos muito mal posicionados no quadro da UE", exemplifica.

Na área do emprego, sobre a percentagem de empregadores que tem no máximo o ensino básico, "percebemos que a maioria, 53% dos empregadores em Portugal, tem no máximo o 9.º ano de escolaridade enquanto que, na Europa, a maioria dos empregadores tem o secundário ou ensino superior. Neste indicador somos os piores da Europa", realçou a diretora da Pordata.

A especialista salientou que "não é necessariamente em tudo" que Portugal é um país do sul.

E explicou: "existem áreas em que Portugal está muito distante de alguns países do sul da Europa, por exemplo, na percentagem de nascimentos fora do casamento - a maioria dos nascimentos em Portugal já são fora do casamento, estamos muito próximo de países do norte da Europa, como a Suécia, e longe de países como a Itália ou a Grécia", apontou.

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