Na reunião do executivo municipal de hoje, questionado pela CDU que sublinhava que população de Gondomar só agora soube desta alteração, Rui Moreira disse que não compete à Câmara do Porto comunicar à população daquele com concelho aquilo que desde há um ano e meio a autarquia vinha a dizer que ia fazer.

O independente garantiu, contudo, que a câmara vai continuar a dialogar, ainda que estas medidas sejam inevitáveis face ao conjunto de obras que se perspetivam na cidade.

A Câmara do Porto anunciou, em 16 de janeiro, que 14 linhas de operadores privados de transportes públicos vão a partir de 05 de fevereiro ficar impedidos de entrar no centro do Porto, deixando os passageiros na estação de metro do estádio do Dragão.

Os condicionamentos, motivados em parte pela obra de recuperação do Mercado do Bolhão, vão tirar os autocarros privados e "um total de nove mil passageiros" dos terminais atualmente existentes na rua Alexandre Braga e no Campo 24 de Agosto, transferindo as paragens para a zona do Dragão, com estacionamento para 840 automóveis e uma estação de metro que funciona "aquém da capacidade", explicou, à data, o presidente da autarquia.

No mesmo dia, o presidente da câmara de Gondomar, Marco Martins, lamentou a falta de diálogo da Câmara do Porto, que apresentou uma solução "que continua a prejudicar os utentes de Gondomar e não servir os interesses respetivos".

Em causa estão, por exemplo, situações de autocarros com trajetos provenientes de concelhos vizinhos do Porto, sendo que, de acordo com Marco Martins, em Gondomar são afetadas as freguesias de Rio Tinto, Fânzeres e Baguim, que têm acesso ao Porto via corredor de S. Roque através das linhas 55, 69 e 70 da Gondomarense.

Também a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) criticou a decisão da autarquia que gerou um "clima de desconfiança" e "indignação" nas empresas privadas.

Numa carta enviada à Área Metropolitana do Porto (AMP), bem como às câmaras do Porto, Gondomar e Valongo, a ANTROP afirma que recebeu "com enorme surpresa e incredulidade" a notícia de que as operadoras Gondomarense, Pacense e Valpi teriam de desviar o trajeto do término de linhas da zona do Bolhão para o Dragão.

Para Rui Moreira, é natural que esta matéria suscite a oposição de alguns autarcas e empresas, mas sublinha que se a autarquia nada tivesse feito "teria centenas de autocarros a ficar embarrilados" no acesso ao Porto.

O independente, que assegura que estas medidas foram tomadas no sentido de mitigar o impacto das intervenções que vão acontecer na cidade, reconheceu, contudo, que alguns concelhos onde não há "Andante" vão ficar prejudicados enquanto não houver passe metropolitano.

Quanto à questão levantada pela CDU sobre a capacidade da estação de metro do Dragão para fazer o transbordo dos passageiros para o centro da cidade, o autarca lembrou que esta é a única estação de metro que foi construída para dar resposta a grandes eventos, sendo a única que dispõe de três cais.

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