Ouvido como testemunha na 33.ª sessão do julgamento, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, após um interregno de quase dois meses e meio devido à pandemia de covid-19, Ricardo Negrão destacou o “impacto” da intrusão nos sistemas da PLMJ e assumiu que a investigação conduzida não conseguiu aferir a extensão completa dos dados que possam ter sido alegadamente consultados pelo arguido.

“Detetámos que tinham sido acedidas de forma indevida várias caixas de correio. Talvez umas 25, inclusive a minha. Tinha sido identificado um conjunto vasto de computadores. Não conseguimos ter a certeza do que foi retirado das cerca de 3.000 pastas, mas houve um conjunto de 120 ficheiros que foram acedidos. [As pastas] teriam mais de 10.000 ficheiros, mas não tenho o número presente”, disse.

Entre os 120 ficheiros comprovadamente visualizados, Ricardo Negrão revelou que estariam documentos em segredo de estado, aludindo ao caso do antigo espião Jorge Silva Carvalho. Todavia, explicou que as perícias realizadas não permitiram atribuir a autoria dos acessos a uma pessoa em concreto. “A única coisa que conseguimos apurar é que foram usadas as credenciais do [técnico] externo. Associá-las a uma pessoa? Não conseguimos”, admitiu.

Na inquirição conduzida pela procuradora do Ministério Público, Marta Viegas, o ex-diretor informático da PLMJ confirmou que a ‘porta de entrada’ no sistema foi através de “um e-mail de ‘phishing'” enviado para a advogada Paula Martinho da Silva, que o remeteu então para o apoio informático, onde o técnico externo Luís Fernandes acabaria por inserir as suas credenciais de acesso que permitiram a intrusão.

A sessão prossegue da parte da tarde, com a continuação da audição de Ricardo Negrão.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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