Em paralelo, a União Europeia (UE) pediu o “fim imediato” das hostilidades, apelando às duas partes que regressem “à mesa das negociações” para encontrar soluções de consenso.

“Na zona de Saribaba, o regime de cessar-fogo foi violado pelas Forças armadas do Azerbaijão”, declarou em comunicado o Ministério da Defesa russo, para acrescentar que “o comando russo das forças de manutenção da paz, com representantes do Azerbaijão e da Arménia, estão a tomar medidas para estabilizar a situação”.

Em Bruxelas, Peter Stano, porta-voz do chefe da diplomacia europeia Josep Borrell considerou essencial “recuperar e respeitar plenamente o cessar-fogo e regressar à mesa das negociações para procurar soluções negociadas”.

O texto acrescenta que a União Europeia “permanece determinada em ajudar a ultrapassar as tensões e prosseguir o seu compromisso em favor de uma paz e de uma estabilidade duráveis no Cáucaso do Sul”.

O Azerbaijão reivindicou hoje ter assumido o controlo de diversas posições e destruído alvos arménios no Nagorno-Karabakh, numa nova escalada que provocou três mortos neste enclave montanhoso do Cáucaso do sul e reacendeu os riscos de guerra.

“O controlo foi garantido em diversas zonas importantes”, incluindo colinas, declarou o Ministério da Defesa azeri num comunicado, acrescentando que as suas forças estavam em vias de fortificar essas posições.

Previamente, os dois campos antagónicos tinham-se referido à morte de pelo menos dois combatentes arménios e de um soldado azeri em confrontos nos arredores do Nagorno-Karabakh, o território separatista de maioria arménia situado em território do Azerbaijão, e que fez reacender o espetro de uma nova guerra após o sangrento conflito de 2020.

Os incidentes arriscam-se a comprometer as conversações de paz, com mediação da União Europeia (UE), que decorrem há vários meses entre o Azerbaijão e a Arménia, duas ex-repúblicas soviéticas rivais do Cáucaso.

O Ministério da Defesa azeri anunciou esta manhã a morte de um soldado após disparos dirigidos contra uma posição do exército azeri no distrito de Latchin, uma zona-tampão entre a fronteira arménia e o Nagorno-Karabakh.

O Azerbaijão disse ter promovido uma operação de represália designada “Vingança”, na qual “foram destruídas diversas posições de combate de elementos armados arménios ilegais”.

Dois membros das forças separatistas arménias foram mortos e 14 ficaram feridos num ataque de um ‘drone’ (aeronave não tripulada) azeri, declararam as autoridades do enclave, ao denunciarem uma “flagrante violação do cessar-fogo”.

Num sinal sobre a escalada da tensão, o dirigente dos separatistas do Nagorno-Karabakh, Arayik Harutyunyan, assinou hoje um decreto que proclama uma mobilização militar parcial no território, segundo a página digital da Presidência.

A Arménia e o Azerbaijão, ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso do Sul, declararam a independência em 1991.

O Nagorno-Karabakh, uma região em território azeri, hoje habitada quase exclusivamente por arménios (cristãos ortodoxos), declarou a independência do Azerbaijão muçulmano após uma guerra no início da década de 1990, que provocou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.

Na sequência dessa guerra, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), constituído no seio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas as escaramuças armadas continuaram a ser frequentes, e implicaram importantes confrontos em 2018.

Cerca de dois anos depois, no outono de 2020, a Arménia e o Azerbaijão enfrentaram-se durante seis semanas pelo controlo do Nagorno-Karabakh durante uma nova guerra que provocou 6.500 mortos e com uma pesada derrota arménia, que perdeu uma parte importante dos territórios que controlava há três décadas.

Após a assinatura de um acordo sob mediação russa, o Azerbaijão, apoiado militarmente pela Turquia, registou importantes ganhos territoriais e Moscovo enviou uma força de paz de 2.000 soldados para a região do Nagorno-Karabakh.

Apesar do tímido desanuviamento diplomático, os incidentes armados permanecem frequentes na zona ou ao longo da fronteira oficial entre os dois países.

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