Em causa estão todos os recintos fúnebres desse concelho do distrito de Aveiro, o que envolve cerca de 2.400 sepulturas e ossários aos quais amigos e familiares não podem agora aceder devido ao encerramento de cemitérios e outros espaços púbicos no contexto nacional de contenção da covid-19.

Em declarações à Lusa, o presidente da câmara, Jorge Vultos Sequeira, diz que "os cemitérios são dos equipamentos municipais mais sensíveis e delicados, pelo que merecem um olhar atento" dos serviços da autarquia, que assim se substituem aos cuidados habitualmente reservados à família alargada dos mortos.

"É nosso dever assegurar a dignidade do espaço e o respeito pelos falecidos", defende o autarca, referindo que, desde o encerramento dos cemitérios e casas mortuárias de São João da Madeira no âmbito do plano de contingência contra a doença provocada pelo novo coronavírus, já se terão realizado no município cerca de 40 funerais e cremações sem o habitual acompanhamento público.

Cada uma das sepulturas e ossários vai assim receber lírios e uma vela em copo, numa operação que está marcada para a próxima segunda-feira, de acordo com uma distribuição assegurada pela Câmara.

A escolha da data prende-se com o aproximar da Páscoa, celebração religiosa católica que, como nota Jorge Vultos Sequeira, "este ano não vai poder ser vivida como é tradição devido à emergência de saúde pública com que várias comunidades se confrontam neste momento a nível internacional".

O novo coronavírus responsável pela pandemia da covid-19 foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 51.000 morreram. Ainda nesse universo de doentes, cerca de 190.000 recuperaram.

A doença afeta agora sobretudo o continente europeu, onde se registam mais de 525.000 casos confirmados e de 37.000 mortos.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 9.034 infeções confirmadas. Desse universo de doentes, 209 morreram, 1.024 estão internados em hospitais, 68 recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.

A 17 de março, o Governo declarou o estado de calamidade pública no concelho de Ovar, que a partir do dia seguinte ficou sujeito a cerco sanitário com controlo de fronteiras e suspensão de toda a atividade empresarial não afeta a bens de primeira necessidade. A medida foi entretanto prolongada até 17 de abril.

A 18 de março foi também decretado o estado de emergência para todo o país, o que entrou em vigor às 00:00 do dia 22 e foi quinta-feira prorrogado até 17 de abril. A medida proíbe toda a população de circular fora do seu concelho de residência entre 09 e 13 de abril, para desincentivar viagens no período da Páscoa.

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