À margem da apresentação do programa nacional de rastreio de saúde da visão infantil, em Santa Maria da Feira, a responsável remeteu nova atualização do número de infetados para o final do dia e admitiu que, quando existe um surto, o ponto de vista clínico "é complexo".

"É provável que desde ontem [quinta-feira] tenham aparecido casos suspeitos, mas que carecem de reporte, quer para a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte), quer para o nível nacional, e carecem de uma investigação laboratorial. Não é uma questão de não controlo, mas uma dinâmica do próprio vírus e da doença", referiu em declarações aos jornalistas.

A responsável atualizou também o estado das cinco pessoas internadas, revelando que uma delas terá alta nos próximos tempos, estando as restantes a "evoluir muito bem", sendo que todas elas "ou não tinham uma dose da vacina ou duas", o que indica que "tiveram formas variadas de sarampo, menos grave e que não levam a transmissão a outros".

Segundo contou, este é um "surto característico dos países desenvolvidos, com altas taxas de vacinação", caso contrário a doença já se teria entranhado "em comunidades e crianças", o que é uma amostra do "alto nível de imunidade" no país, visto que só tem ocorrido "em adultos jovens", sobretudo nos profissionais de saúde.

A recomendação para os profissionais de saúde é estarem vacinados, o que não evita poderem ter "uma forma muito ligeira de sarampo e que não transmite", além de um aumento do nível de alerta para o diagnóstico.

"Os médicos estão atentos a qualquer pessoa que apareça na fase inicial da doença (febre, conjuntivite, pingo no nariz)”, disse Graça Freitas, lembrando que, depois, aparecem lesões cutâneas características.

“O nível de atenção está elevado. Uma vez encontrada uma pessoa suspeita, procedemos ao isolamento dessa pessoa. É posta num espaço próprio, é dada uma máscara, medidas de contenção respiratórias e da infeção, para que esta pessoa não contagie outras", disse.

A diretora-geral respondeu também às declarações do presidente da Associação Portuguesa dos Administradores dos Hospitais, Alexandre Lourenço, que defendeu um consenso entre as ordens e os sindicatos para uma campanha pelo cumprimento do Programa Nacional de Vacinação e admitiu que os hospitais não fazem triagem para saber se os profissionais que contratam têm as vacinas em dia.

"Pode fazer-se pedagogicamente [uma triagem dos profissionais de saúde]. Tudo se pode fazer de forma pedagógica, consensual e informada. Vocês acham que, em consciência, alguém não vai verificar o vosso boletim? O que acontece é que somos vacinados na infância e quando entramos no mundo laboral, passados 25 anos, não se tem a sensação se estamos corretamente vacinados ou não", retorquiu.

Graça Freitas recusou a possibilidade de obrigar os profissionais de saúde a vacinarem-se, porque além de "carecer de enquadramento legal, vivemos num estado de Direito e o nosso programa nacional de vacinação é universal e voluntário" e que não "é por uma medida ser obrigatória que se torna um êxito".

Sobre os movimentos anti vacinas, sublinhou que os trabalhadores da área de saúde têm a "obrigação de esclarecer as dúvidas às pessoas que as tenham" e que a vacinação é um "ato voluntário, um dever, um direito e um ato de solidariedade para com todos".

"Mesmo que haja 1% ou 3% de pessoas que não estejam vacinadas, beneficiam da vacinação dos outros. É este o contrato social entre os profissionais de saúde e a população que deve haver. As pessoas têm direito a ter dúvidas e a vê-las esclarecidas. Deve ser uma adesão esclarecida. As vacinas salvam vidas, protegem-nos contra o sofrimento e contra a morte", rematou.

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