A ideia de que o Governo "quereria obrigar médicos jovens especialistas a ficar no Serviço Nacional de Saúde tem várias contradições", notou o bastonário, que falava durante uma cerimónia do Juramento de Hipócrates, em Coimbra, para uma plateia de novos médicos.

"Primeiro, num Estado democrático, não se pode obrigar as pessoas a ficar num determinado sítio. Isso é possível nos estados autocráticos, mas não numa democracia. Segundo, os médicos, durante a sua formação especializada, nada devem ao Estado, bem pelo contrário", frisou, com a plateia a aplaudir o discurso.

Miguel Guimarães realçou que os médicos, durante a sua formação especializada, "têm um salário muito baixo, praticamente igual ao do enfermeiro, mas com responsabilidade superior".

Durante o discurso, o bastonário sugeriu à ministra da Saúde, Marta Temido, que seguisse os conselhos da obra "Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry, que dizia "se queres um amigo, cativa".

O bastonário referiu que tem "a certeza" de que, caso sejam dadas condições aos médicos para trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), "a grande maioria ficará" no sistema público.

Mas "cativar também é criar laços"

Em resposta, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, também presente na cerimónia, afirmou que o mesmo livro de Antoine de Saint-Exupéry dizia "que cativar também é criar laços".

"É isso que faço aqui hoje: criar laços", assegurou.

Apesar de considerar que "há muito a fazer em matéria de saúde", hoje há "mais profissionais no SNS e mais médicos no SNS".

No entanto, é preciso "ir mais longe", referiu, assumindo a vontade do Governo de "criar projetos de carreira e alimentar o sentimento de dedicação e pertença de uma verdadeira adesão ao Serviço Nacional de Saúde e à causa pública".

"O SNS precisa de vocês para se modernizar, para se consolidar e para se adaptar aos desafios do futuro", referiu, assegurando ainda que o executivo está a trabalhar "para que todos possam ter acesso à especialidade".

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