“Se não chover, [o verão] vai ser complicado. Inclusive, o abeberamento dos animais tem que ser fornecido pelos produtores pecuários, pelos agricultores, porque as charcas e os cursos de água já estão secos desde maio. Não houve precipitação e continua a não haver e vem-se a agravar ainda mais a situação de seca nos solos e nos recursos hídricos”, disse hoje à agência Lusa a presidente da Associação Distrital dos Agricultores da Guarda (ADAG).

Segundo Sandrina Monteiro, a situação para os agricultores da região “está bastante preocupante, quer na área agrícola propriamente dita, quer na área pecuária, porque está a comprometer a alimentação de inverno”.

“[A seca] está a comprometer as pastagens, porque já estão secas e já não voltam a rebentar, e também o próprio abeberamento dos animais, porque não há recursos hídricos disponíveis nas pastagens para eles poderem satisfazer as necessidades em termos de água. E é mais um gasto que o agricultor tem que ter, que é o transporte da água para as parcelas onde estão os animais”, disse.

A dirigente adiantou que os associados têm contactado a associação para saber de ajudas para a criação de novos poços, furos e charcas, mas, este ano, o distrito da Guarda não foi contemplado nas candidaturas para este fim.

“Se a nossa agricultura já é muito difícil, já tem muitas despesas, se não tivermos estes recursos hídricos para podermos colmatar as necessidades de água para os animais e para as plantas, eu estou convencida de que a área agrícola vai diminuir ainda mais. É necessário haver (…) ajudas para novos recursos hídricos”, alertou.

Na opinião de Sandrina Monteiro, “é crucial” que o Ministério da Agricultura “arranje ferramentas” para auxiliar os agricultores “a terem ajudas para fazer charcas, poços, furos, para poderem continuar com as suas explorações, porque, senão, vai ser muito complicado”.

A responsável afirmou que este ano está a ser “dramático” para os agricultores da região da Guarda, uma vez que “o inverno foi muito seco e já não houve desenvolvimento das pastagens”.

“Os agricultores na área da pecuária esgotaram o ‘stock’ e tiveram que fazer a compra de alimentos e, agora, [a situação] agravou-se com as culturas de inverno e não houve o desenvolvimento das culturas dos cereais”, relatou.

A presidente da ADAG vaticinou que o ano agrícola “vai ser muito complicado” devido à seca, a que se juntam outros fatores, como os custos de produção, relacionados com os aumentos dos combustíveis e a aquisição das sementes.

Sandrina Monteiro indicou que alguns produtores pecuários “estão a pensar reduzir o efetivo, porque não têm maneira para alimentar os animais e o preço de venda não consegue colmatar as despesas que têm”.

Segundo previsões oficiais, 34% do país está em seca severa e 66% está em seca extrema.

Dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indicam que este ano é o mais seco de que há registo (desde 1931) e que só o ano de 2005 se aproximou da situação atual, pelo que a seca meteorológica e agrometeorológica “obriga a tomar medidas”.

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