1. Por que é que ter filhos numa altura de crise climática é possível

Em 2017, a cientista ambiental Kimberly Nicholas foi coautora de um estudo que tentava responder à seguinte pergunta: quais são as mudanças mais eficazes que podemos fazer nos nossos estilos de vida para reduzirmos a nossa pegada verde e ajudar a salvar o planeta?

Planeta A

Uma volta ao mundo centrada nos temas que marcam.

Todas as semanas, selecionamos os principais trabalhos associados à rede Covering Climate Now, que o SAPO24 integra desde 2019, e que une centenas de órgãos de comunicação social comprometidos em trazer mais e melhor jornalismo sobre aquele que se configura como um tema determinante não apenas no presente, mas para o futuro de todos nós: as alterações climáticas ou, colocando de outra forma, a emergência climática.

Ela descobriu que, para indivíduos que residem em países com emissões altas, escolhas como viajar de avião menos vezes, conduzir com menor frequência e não comer tanta carne são viáveis. Mas há outra opção que é muito mais eficaz a longo prazo: ter menos filhos.

Contudo, no seu novo livro, “Under the Sky We Make”, a autora diz que, se realmente quiser ter filhos, deve fazê-lo de qualquer maneira.

“Reduzir a população não é como vamos resolver a crise climática. (...) É verdade que mais pessoas consumirão mais recursos e haverá mais emissões de gases de efeito de estufa. Mas esse não é o verdadeiro prazo relevante para reverter as alterações climáticas, visto que só temos esta década para cortar as emissões pela metade”, diz Kimberly Nicholas.

A autora explica ainda que deve haver um maior foco nas ações a nível estrutural, ao invés de individual. “Talvez devêssemos concentrar a nossa energia e atenção na luta por uma transição em massa para fontes de energia limpa, que só é possível com mudanças na política governamental”, refere. 

Para ler na íntegra em Vox

créditos: AFP or licensors

2. Terapeutas não se sentem preparados para lidar com o aumento dos casos de eco-ansiedade e de stress pós-traumático 

A American Psychiatric Association (APA) reconhece as mudanças climáticas como uma ameaça crescente à saúde mental, mas muitos profissionais de saúde mental sentem-se pouco preparados para lidar com o número crescente de pessoas ansiosas, que estão a sofrer devido ao estado do planeta.

Já há inclusive uma subespecialidade na terapia, chamada eco-terapia, onde os profissionais são treinados para integrar a consciência ambiental no seu trabalho com os clientes. Contudo, ainda representam uma percentagem pequena na área e a grande maioria das pessoas não tem acesso a este tipo de terapia.

Entre 2009 e 2020, a proporção de americanos que disseram ter experimentado pessoalmente os efeitos do aquecimento global aumentou de 32% para 42%, de acordo com a investigação de 2020 do Programa de Comunicação sobre Mudança Climática de Yale.

Com o aumento da ansiedade, do stress e do transtorno de stress pós-traumático relacionados com o clima, um contingente de profissionais de saúde mental está a desenvolver um novo padrão de saúde mental para a realidade atual. 

Para ler na íntegra em Earther

3. Sir David Attenborough nomeado "Advogado do Povo" para alertar no combate às alterações climáticas

O naturalista britânico David Attenborough, de 95 anos, foi nomeado pelo Governo britânico "Advogado do Povo" na Conferência sobre as alterações climáticas COP26 para discursar perante os líderes mundiais. 

Além da conferência que terá lugar em Glasgow, em novembro, o apresentador de televisão deverá participar noutros eventos internacionais para “apresentar argumentos convincentes aos líderes mundiais, decisores importantes e ao público sobre a importância da ação climática”.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que “não existe pessoa melhor para imprimir dinâmica para novas mudanças à medida que nos aproximamos” da data.

Para ler na íntegra em SAPO24

Parques de energia eólica offshore
créditos: Michael Dwyer/AP

4. Começam a ser construídos os primeiros parques de energia eólica offshore nos EUA

A administração de Biden aprovou o primeiro grande parque eólico offshore dos EUA, com 84 turbinas na costa de Massachusetts. A energia eólica offshore é gerada por parques eólicos construídos em corpos d'água, geralmente no oceano, para colher energia eólica para gerar eletricidade.

As turbinas produzirão eletricidade suficiente para abastecer 400 mil casas e a construção do parque eólico criará 3600 empregos. 

Mais projetos, como o desenvolvimento do “Vineyard Wind”, um parque eólico offshore proposto em águas federais dos EUA no Oceano Atlântico, estão em andamento, com funcionários do governo a garantir que o vento terá um papel central nos esforços de descarbonização do país. 

Também na costa de Nova Iorque se está a apostar nestas infraestruturas. A nova construção empregará 5200 trabalhadores e gerará energia para 1.3 milhões de casas. 

Estes projetos que combinam o progresso ambiental com o desenvolvimento económico e a justiça social, ou seja, uma transição justa, podem ser usados como um modelo nacional para o futuro.

Para ler na íntegra em The Guardian e Inside Climate News 

Por cá: 5ª edição do Festival Mental discute como podemos lidar com a “eco-ansiedade”

Apesar de ser comum preocupar-se com o futuro do planeta, a eco-ansiedade caracteriza-se por ser um estado de preocupação mais intenso, que pode ser acompanhado de sentimentos de culpa por contribuir para o problema.

Este fenómeno, que afeta principalmente jovens e jovens-adultos, tem vindo a crescer nos últimos anos, devido à maior quantidade de informação disponível acerca da crise ambiental e pode levar a graves consequências no bem-estar pessoal. 

Na edição do Festival Mental – Festival da Saúde Mental deste ano, este é um dos temas em cima da mesa, além da depressão e da somatização. Marcará presença em Lisboa, no Cinema São Jorge, nos próximos dias 20 a 28 de maio, seguindo depois para o Funchal, Ponta Delgada e Castelo de Vide. 

“A eco-ansiedade ainda não está inscrita no Manual de Psiquiatria como uma doença psiquiátrica, mas para lá caminha – espero eu, e que seja rapidamente.  Em países como a Alemanha, o Reino Unido, a Suécia, entre outros, isto já está a trazer taxas de suícidio graves. Portanto, já não se trata de ansiedade ou de evolução para depressão”, diz a organizadora e diretora do Festival Mental, Ana Pinta Coelho.

“É um sentimento de estar sem chão, de que toda a gente está a falhar e tens a certeza que as coisas estão a correr mal, tendo factos para o comprovar. A pessoa mudou literalmente a vida toda para ajudar-se a si próprio e também aos outros, mas olha para o lado e vê que ninguém está a ligar absolutamente nada”, acrescenta. 

Com foco na programação, exposição e discussão, já na próxima sexta-feira, dia 21, haverá um debate público onde serão discutidos os impactos que a eco-ansiedade tem na nossa saúde mental, naquilo que ficou batizado como uma “M-Talk”. Terá a participação do psicólogo clínico Nuno Colaço e do Vogal da Direção da DRC da Ordem dos Psicólogos Portugueses Sérgio Viana, com moderação da jornalista Cristina Esteves.

Esta edição traz também uma Mostra Internacional de Curtas e Longas Metragens, como é o caso do filme “No Coração da Escuridão” (2017), do argumentista de “Taxi Driver” (1976). No filme, um pastor de uma pequena igreja no interior de Nova Iorque (Ethan Hawke) começa a perder o controlo após um encontro comovente com um ativista ambiental instável e a sua esposa grávida (Amanda Seyfried).

Será também apresentado o primeiro livro português dedicado à temática da eco-ansiedade, o “Isto não é uma invenção”. Escrito por Paulo Vieira de Castro, com revisão de texto de Paula Neves Pereira, capa de Dinis Costa e paginação de Marta Rocha, tem lançamento programado para as 18h30 do dia 27 de Maio no atmosfera m de Lisboa.

Pode consultar a programação completa aqui e para assistir ao Festival basta comprar o seu bilhete aqui.

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