“Por mais medidas que restrinjam liberdades de circulação ou de contacto, elas serão sempre insuficientes se não houver um perfeito controlo das cadeias de transmissão, porque é isso que dinamiza o aumento de novos casos, e se não existirem medidas sobre os idosos”, disse José Carlos Martins, presidente do SEP, no final de uma audiência com o Presidente da República.

Em declarações aos jornalistas, o sindicalista precisou que “só confinar não é suficiente”.

Nesse sentido, defendeu um plano para apoiar os idosos que todos os anos, principalmente durante o inverno, vão com frequência às urgências e muitas vezes são internados em enfermarias ou nos cuidados intensivos.

Segundo o presidente do sindicato, este plano consistia em admitir mais enfermeiros para as unidades de cuidados na comunidade que funcionam junto dos centros de saúde, sendo a principal missão fazer visitas regulares a estes idosos e acompanhá-los permanentemente para evitar deslocações às urgências.

José Carlos Martins afirmou que “há um enorme défice de resposta” aos cerca de 3,5 milhões de idosos que não vivem nos lares.

O presidente do SEP defendeu também junto de Marcelo Rebelo de Sousa um reforço das unidades de saúde pública que fazem os inquéritos epidemiológicos, considerando ser uma questão determinante para travar o aumento dos casos.

“Hoje há muita dificuldade, fruto do défice e da carência de recursos humanos, do acompanhamento das cadeias de transmissão. Devia haver uma admissão imediata de pessoas qualificadas com programas de formação intensivo para realizarem os inquéritos epidemiológicos”, disse, afirmando que este trabalho pode ser feito por outros profissionais porque não se trata de atividades de vigilância clínica.

A audiência de José Carlos Martins decorreu no âmbito de uma ronda que o Presidente da República está a realizar sobre o desenvolvimento da pandemia de covid-19 em Portugal, com várias personalidades ligadas ao setor da Saúde e setor social e que já incluirão ex-ministros, ordens profissionais, sindicatos e associações.

Segundo José Carlos Martins, atualmente o contacto das pessoas que estiveram com um infetado por demorar até 10 dias, quando as normas recomendam que seja até 48 horas.

O sindicalista considerou ainda que o Governo deve iniciar o processo de regulamentação dos sistemas locais de saúde e a sua implementação no terreno, que está previsto na nova lei de base da saúde, para permitir um funcionamento articulado do conjunto das entidades locais para responder localmente.

Portugal ultrapassou hoje todos os recordes desde o início da pandemia covid-19 com o registo de 40 mortos, 4.656 infetados e 1.927 doentes internados, 275 dos quais em cuidados intensivos, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim epidemiológico da DGS hoje divulgado, Portugal, que regista hoje o número mais elevado de novos casos desde março, início da pandemia, contabiliza 137.272 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus e 2.468 óbitos.

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