“Este é um momento crucial para a Igreja do mundo. Alegra-me o entusiasmo que o Sínodo está a suscitar, não desconhecendo, naturalmente, focos de resistência. Ninguém pode faltar à chamada que o Papa dirige a todos”, disse António Marto, no Santuário de Fátima, na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de outubro.

Para o cardeal, “este processo sinodal marcará a passagem de um modelo de igreja clerical, centrada no poder do clero, ao modelo da igreja sinodal, baseada na corresponsabilidade de todos os fiéis e na sua participação e auscultação”.

“Este é o modo de viver e agir que Deus espera da Igreja no terceiro milénio como diz o Papa”, declarou, considerando que “o objetivo do Sínodo não é produzir, propriamente, documentos”, mas inspira antes a ser uma Igreja diferente, “estimuladora de confiança, predisposta a sanar feridas, a tecer novas e profundas relações, a construir pontes, iluminar consciências e envolver todos”.

Segundo António Marto, trata-se de uma “igreja inclusiva, a envolver todos, mulheres, deficientes, refugiados, migrantes, idosos, pobres, ricos, jovens, adultos, todos”, incluindo “batizados ou mesmo pessoas de boa vontade que não são membros da igreja ou, porventura, não sejam crentes”.

O prelado precisou que “há uma tendência de resistência passiva, não propriamente ideológica no sentido de fazer um confronto, sobretudo com certo receio destas interrogações ‘o que é que isto significa’, ‘onde é que isto nos vai levar’. Nem o Papa sabe onde nos vai levar”, referiu.

Na conferência de imprensa, Antonio Marto abordou ainda o mais recente escândalo da Igreja Católica, a divulgação de um relatório segundo o qual mais de 300 mil menores foram abusados e agredidos em instituições da Igreja Católica francesa.

Antonio Marto subscreveu as palavras do Papa Francisco, “a dor, tristeza, a vergonha” e o “seu apelo a fazer todos os esforços”, para que “tais dramas não se possam repetir”.

“Acrescentaria uma outra palavra, o luto. É uma situação de luto para a Igreja, luto nestes dois aspetos de que se reveste, o luto para interiorizar tudo o que significa esta chaga no coração da Igreja, mas também para olhar para o futuro com olhar novo”, referiu, admitindo que esta é uma “tarefa árdua para reconstruir a dignidade e a esperança no novo caminho”.

O bispo de Leiria-Fátima assegurou que “a Igreja está disposta a olhar e a realizar com determinação todos os esforços necessários para pôr fim a estes dramas, a esta chaga que a atingiu profundamente, quer com o cuidado das vítimas, no acolhimento, do apoio humano, psicológico, espiritual e de reparação, quer atendendo ao presente numa atitude preventiva, de prevenção, e sem contemplações”.

“Não há contemplações neste campo e todas as ações que tiverem de ser feitas pelo reconhecimento da verdade deverão ser feitas”, acrescentou António Marto.

O arcebispo de Salvador da Bahia e primaz do Brasil, cardeal Sérgio da Rocha, preside à peregrinação internacional aniversária de outubro ao Santuário de Fátima.

A peregrinação começa às 21:30, com a recitação do terço, seguindo-se a procissão das velas e a celebração da palavra.

Na quarta-feira, às 09:00 é recitado o terço, realizando-se, uma hora mais tarde, a missa, que inclui uma palavra dirigida aos doentes. As celebrações terminam com a procissão do adeus.

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