O que é uma cidade inteligente? As respostas podem ser muitas e raramente são objetivas. Uma cidade inteligente é um território capaz de se adaptar às mudanças — sociais, climáticas, económicas, tecnológicas —, fazendo uso da tecnologia, mas sobretudo da inovação. Albufeira, Ponta Delgada, Portalegre, Guimarães, Seixal e Viseu são seis exemplos de municípios empenhados no desenvolvimento de um território mais dinâmico e, por isso, mais inteligente. Até porque, atira Ricardo Costa, vereador da autarquia da cidade berço, “a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”.

A inteligência urbana é capaz de “valorizar o poder local, que foi uma das maiores conquistas de Abril”, como diz Joaquim Santos, presidente da câmara do Seixal. Por isso, num evento dedicado à inteligência das cidades, nada melhor do que uma cimeira dos autarcas, para dar voz aos decisores políticos que estão mais próximos dos cidadãos.

Antes desta cimeira, no Centro de Congressos de Lisboa, houve uma volta a Portugal que pôs autarcas e técnicos municipais, empresas e universidades, a discutir o que é isso de cidade inteligente, a trocar ideias, a partilhar erros e falhanços e a aconselhar sucessos.

José Carlos Martins Rolo, presidente da câmara municipal de Albufeira, sublinha “o conhecimento que [os autarcas vão] receber nesta discussão; conhecimento que serve para depois aplicar “de maneira própria na realidade” de cada concelho, explica. Há que “saber recolher e adaptar essa informação. Não é suficiente que as tecnologias resolvam os problemas todos”, diz, todavia, “com [a] certeza, para determinados atos e ações as tecnologias serão fundamentais para que elas se levem a bom porto”.

É que, para Martins Rolo, a inovação pode ser inspirada nos exemplos de outras cidades; porém, as ações têm de “ter sempre em conta os problemas existentes” e cada concelho, devendo os “processos e metodologias” ser usados para “resolver os problemas dos munícipes, turistas e mesmo os problemas internos da autarquia”, afirma.

“A cidade é um destino da inteligência urbana, mas é sobretudo um ponto de partida”, diz José Manuel Bolieiro, presidente da câmara de Ponta Delgada. No meio do Atlântico do Norte, a capital da Região Autónoma dos Açores usa a inteligência urbana para “transformar a periferia em centralidade”. E essa centralidade pode passar, por exemplo, por uma aposta no turismo, facilitada através do recenseamento dos “ativos com potencial turístico”, não só para garantir uma maior eficiência na gestão do património do município como, abrindo esses dados ao público, permitindo aos turistas explorar informação sobre esse mesmo património.

O presidente da câmara municipal de Viseu concorda. Para Almeida Henriques, as “bases de dados abertas que permitem uma lógica intermunicipal”, naquela que será mais uma peça importante de uma estratégia de dados abertos.

Mais importante que ter os dados recolhidos pelas cada vez mais complexas redes de informação das cidades, importa saber geri-los. É essa “a grande inteligência”, diz Ricardo “Eu se quiser saber com exatidão o número de pessoas que trabalha num parque industrial, qual é a sua origem. Hoje não consigo fazê-lo”, afirma.

Para além disso, apesar de toda a ambição, alerta o vereador vimaranense, “antes de os territórios mudarem é preciso que os municípios percebam que isto é importante” e é necessário “consciencializar as pessoas para a mudança — que veio para ficar”.

A cimeira Portugal Smart Cities (cidades inteligentes) é organizada pela fundação AIP no Centro de Congressos de Lisboa. A iniciativa olha para temas como o ambiente e a biodiversidade; as energias renováveis e a mobilidade; o emprego e a economia sustentável.

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