Um comunicado do TIC adianta que os restantes seis arguidos ficam em liberdade, embora sujeitos a termo de identidade e residência, suspensão do exercício de funções, proibição de contacto com os coarguidos e com quaisquer militares das Forças Armadas, da GNR e elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM).

O TIC esclareceu que aplicou ao diretor da PJM, aos restantes três elementos daquela polícia e aos três GNR estas medidas pelo “perigo de continuação da atividade criminosa e perigo de perturbação do decurso do inquérito, aquisição e conservação da prova”.

Para o único arguido civil, João Paulino, o juiz de instrução criminal João Bartalo considerou que há “perigo de continuação da atividade criminosa e de fuga” e o arguido responde pelos crimes de tráfico de armas e tráfico de droga.

O despacho do tribunal refere que o diretor e os restantes elementos da PJM e os três militares da GNR estão arguidos pelos crimes de “denegação de Justiça e prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário, associação criminosa e tráfico de armas”.

O diretor da PJM e um outro elemento daquela polícia (Roberto Pinto da Costa) estão também indiciados pelo crime de falsificação de documentos, tendo o último ainda um crime de detenção de arma proibida.

Diretor da Polícia Judiciária Militar vai recorrer de prisão preventiva

Todavia, o advogado do diretor da PJM disse hoje que vai recorrer da decisão de prisão preventiva decretada ao seu cliente

“Não estava à espera [da decisão], pelo interrogatório que foi feito ao meu constituinte e pela convicção que mantenho de que está inocente”, disse aos jornalistas Rui Baleizão, à porta do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa.

O advogado adiantou que na segunda-feira vai pedir os autos e que depois recorrerá da decisão.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada terça-feira, no âmbito da Operação Húbris, o diretor da PJM, Luís Vieira, outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Na maratona de interrogatórios que teve lugar durante na quinta-feira e na madrugada de hoje o civil que foi detido, também por posse de droga encontrada durante a investigação e buscas, remeteu-se ao silêncio.

Depois foi interrogado pelo juiz o diretor da PJM, que falou cerca de duas horas e que, segundo o seu advogado, Rui Baleizão, reiterou sua inocência e"tentou esclarecer os factos" que lhe foram questionados.

Seguiram-se os interrogatórios do responsável do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé, Lima Santos, que falou por mais de uma hora, tendo os dois outros elementos ficado calados, alegando cansaço.

A longa sessão de interrogatórios, que durou quase doze horas, terminou cerca das 03:00 da madrugada de hoje com a audição dos dois últimos elementos da PJM detidos.

Fonte ligada à investigação referiu que está a ser investigada uma alegada encenação montada para simular a descoberta e recuperação das armas pela PJM.

Os oito detidos no âmbito desta investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público foram identificados na quinta-feira pelo juiz de instrução criminal, o responsável pela aplicação das medidas de coação aos arguidos.

Segundo o Ministério Público, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”.


Notícia atualizada às 21:14. Acresce as declarações do advogado do PJM.

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