2017

29 de junho

  • Exército português revela o desaparecimento de material de guerra de dois dos paióis nacionais de Tancos, detetado no dia anterior.
  • Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, reconhece que o sucedido é "grave", mas garante que "não ficará nada por levantar".

30 de junho

  • PSD e CDS-PP pedem presença do ministro no parlamento. PCP pede retirada de consequências de um caso de "extrema gravidade".
  • Exército revela que material desaparecido inclui explosivos, granadas de gás lacrimogéneo e granadas foguete anticarro.

1 de julho

  • Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, anuncia a exoneração de cinco comandantes de unidades para não interferirem com a investigação.
  • É anunciado o reforço de segurança em Tancos e a abertura de processos de averiguações internos do Exército às cargas e condições de armazenagem, à área de segurança física das instalações e ao sistema de controlo de acessos e vigilância eletrónica.

2 de julho

  • Rovisco Duarte diz em entrevista à SIC que paiol foi "escolhido a dedo", admitindo que tenha sido roubado com "informação do interior".
  • Jornal El Español divulga lista completa de material desaparecido: cerca de 1.500 balas 9 mm, granadas, explosivos e 44 granadas-foguete anticarro, entre outros itens.

3 de julho

  • Presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, pede demissão do ministro da Defesa.

4 de julho

  • Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visita paióis nacionais, com o ministro da Defesa, e pede o apuramento de "tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer".
  • Ministério Público abre inquérito ao sucedido por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo. A investigação é liderada pela Polícia Judiciária (PJ) com a colaboração da Polícia Judiciária Militar (PJM).

7 de julho

  • Azeredo Lopes defende permanência de Rovisco Duarte e rejeita que falhas possam ser justificadas com desinvestimento no setor da Defesa.

8 de julho

  • Tenente-general Antunes Calçada, comandante do Pessoal, apresenta a demissão, segundo o semanário Expresso por "divergências inultrapassáveis" com Rovisco Duarte.
  • Anunciada a demissão do comandante das Forças Terrestres, tenente-general António Menezes.

11 de julho

  • Primeiro-ministro, António Costa, manifesta confiança no ministro da Defesa e solidariedade com Rovisco Duarte.

17 de julho

  • Rovisco Duarte decide transferir material militar guardado em Tancos para outras instalações militares.

20 de julho

  • Exército anuncia reforço de segurança dos paióis de Santa Margarida, em Santarém, e cancelamento dos investimentos previstos para Tancos.

27 de julho

  • Diretor do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) diz no parlamento que SIS soube do furto pela comunicação social e que relatório dos serviços de informações equacionou como "cenário plausível" o envolvimento de crime organizado português ou estrangeiro, terrorista ou extremista.

4 de setembro

  • Presidente da República declara-se preocupado com tempo que demora apuramento de factos e responsabilidades.

10 de setembro

  • Em entrevista ao Diário de Notícias e TSF, ministro da Defesa admite que pode não ter havido furto: "No limite, pode não ter havido furto nenhum", porque "não existe prova visual, nem testemunhal, nem confissão. Por absurdo, podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado… e isso não pode acontecer".

18 de outubro

  • PJM anuncia que intercetou material roubado de Tancos na região da Chamusca, distrito de Santarém, “com a colaboração do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé”.
  • Ministério da Defesa destaca "relevância da operação" da PJM.

créditos: Lusa

2018

18 de janeiro

  • Exército anuncia que concluiu os quatro processos disciplinares abertos na sequência do furto de material de guerra em Tancos, determinando a pena mais gravosa a um sargento que não mandou fazer as rondas.
  • Exército abre processo para apurar a “discrepância” entre o material furtado e o que foi encontrado na Chamusca. É aplicada pena de “repreensão simples” ao militar responsável pelo controlo de entradas e saídas das cargas dos paióis por não ter preenchido corretamente o registo do material.

19 janeiro

  • Rovisco Duarte afirma que o furto de material de guerra em Tancos "é um assunto encerrado”.

21 de março

  • Relatório enviado ao parlamento pelo Ministério da Defesa alude a falhas de segurança nos paióis nacionais de Tancos, quer ao nível das instalações, quer na falta de efetivos, remetendo para a investigação criminal “a resposta cabal” sobre as circunstâncias do furto.

17 de julho

  • Azeredo Lopes afirma em audição na comissão de Defesa desconhecer “alegada discrepância” na relação de material e aguardar “aclaração” por parte do Ministério Público.

31 de julho

  • Perante os deputados da comissão parlamentar de Defesa, Rovisco Duarte afirma não saber o que estava “ali a fazer” por não ter nada de novo a dizer sobre o furto de Tancos. Afirma que o Exército nunca garantiu que o material militar encontrado na Chamusca era o mesmo que tinha sido furtado de Tancos.

12 de setembro

  • Azeredo Lopes não diz “nem que sim, nem que não” aos deputados da comissão de Defesa sobre se o material recuperado na Chamusca é tudo o que foi roubado de Tancos, assumindo não ter certezas.

25 de setembro

  • PJ detém diretor-geral da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e três militares da GNR de Loulé, entre oito mandados de detenção que visaram ainda outros militares da PJM e um civil. Nome de código da ação é “Operação Húbris”.
  • Ministério Público pede detenção do porta-voz da PJM, Vasco Brazão, em missão na República Centro-Africana.

28 de setembro

  • O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decreta prisão preventiva para Luís Vieira, e para um civil. Os restantes seis arguidos ficam em liberdade, embora suspensos de funções, proibição de contacto com os coarguidos e com quaisquer militares das Forças Armadas, da GNR e elementos da PJM.

3 de outubro

  • Vasco Brazão fica obrigado a permanecer na sua residência e impedido de contactar com os outros arguidos do processo, depois de interrogado durante sete horas.

4 de outubro

  • Semanário Expresso noticia que a recuperação de material foi uma encenação da PJM, em conivência com o autor do furto e a GNR de Loulé, de que Azeredo Lopes terá tido conhecimento, apesar de o ministro negar o que Vasco Brazão terá dito durante o interrogatório.
  • Em Bruxelas, Azeredo Lopes afirma que o pedido de demissão por parte do CDS-PP “não faz sentido nenhum” e constitui “uma espécie de 'bullying' político”.
  • Ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa, Martins Pereira, admite à Lusa ter recebido o coronel Luís Vieira e o major Brazão, mas nega ter percebido qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos". Não refere qualquer memorando.

5 de outubro

  • O primeiro-ministro mantém a confiança no ministro da Defesa, considerando que, sobre o caso de Tancos, "falta muita coisa esclarecer, desde logo a captura dos ladrões".

10 de outubro

  • Tenente-general Martins Pereira diz à RTP que o seu advogado entregou no Departamento Central de Investigação e Ação Penal um documento sobre a operação de recuperação do material de Tancos que lhe terá sido entregue pelo ex-porta-voz da PJM e pelo ex-diretor daquela polícia, numa reunião no seu gabinete.
  • No debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro diz que não conhece o documento e afirma que Azeredo Lopes também não.

12 de outubro

  • Azeredo Lopes demite-se do cargo de ministro da Defesa, afirmando querer evitar que as Forças Armadas sejam “desgastadas pelo ataque político” e pelas “acusações” de que diz estar a ser alvo por causa do processo de Tancos.

14 de outubro

  • João Gomes Cravinho é anunciado como novo ministro da Defesa.

17 de outubro

  • Rovisco Duarte pede exoneração do cargo de CEME, invocando “razões pessoais”. Na rede interna do Exército, justifica a decisão dizendo que “circunstâncias políticas assim o exigiram”.

26 de outubro

  • Aprovada proposta do CDS-PP para a criação de uma comissão de inquérito ao furto de Tancos.
  • Primeiro-ministro diz que não conheceu o memorando sobre o furto de Tancos, “nem através de Azeredo Lopes, nem através de ninguém”.

27 de outubro

  • Marcelo afirma-se preocupado com o andamento da investigação para evitar "uma indecisão, uma hesitação, uma suspeição na opinião pública".

30 de outubro

  • Divulgada lista enviada pela PJM ao parlamento em que se confirma que falta recuperar cinco granadas, mais de 30 cargas de explosivos e 1.450 munições de nove milímetros.

31 de outubro

  • Ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão nega encobrimento de suspeitos na recuperação do material roubado, promete colaborar com a Justiça e assumir responsabilidades por erros no processo.

5 de novembro

  • Presidente da República esclarece que ninguém da sua Casa Civil ou Militar lhe comunicou qualquer informação sobre a recuperação das armas e que não existem documentos relativos à operação nessas instituições.

22 de novembro

  • Arrancam os trabalhos da comissão de inquérito ao furto de material militar em Tancos, no parlamento.

27 de novembro

  • O MP confirma ter decidido juntar os processos-crime que investigam o roubo e o aparecimento do armamento militar dos paióis de Tancos.

17 de dezembro

  • A PJ detém oito pessoas e realiza dezenas de buscas na zona Centro e Sul do país, por suspeitas de crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico armas. Cinco ficam em prisão preventiva.

Edifício sede da Polícia Judiciária, em Lisboa. créditos: TIAGO HENRIQUE MARQUES/LUSA

2019

30 de janeiro

  • O coronel Luís Vieira, ex-diretor da PJM, detido preventivamente, contesta a apensação dos processos sobre o furto das armas de Tancos e a sua recuperação, alegando que há crimes "estritamente militares" que não são investigados.

13 de fevereiro

  • O Tribunal da Relação de Lisboa liberta o coronel Luís Vieira, que se encontrava em prisão preventiva desde setembro.

19 de fevereiro

- O Exército assume a intenção de manter os Paióis Nacionais de Tancos como “infraestruturas de depósito”, mas ainda não decidiu se vai reativar as instalações, esvaziadas na sequência do furto ocorrido em junho de 2017.

19 de março

  • A ex-procuradora-geral da República Joana Marques Vidal considerou que a PJM atuou de forma ilegal no processo que levou ao “achamento” do material militar furtado dos paióis de Tancos.

7 de maio

  • O primeiro-ministro ficou com “convicção plena” de que Azeredo Lopes só soube do “memorando” da PJM no dia 12 de outubro, antes de se demitir.

19 de junho

  • O relatório da comissão parlamentar de inquérito ao furto de material de guerra em Tancos é aprovado com os votos favoráveis do PS, PCP e BE e as conclusões excluem qualquer responsabilização direta do ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes e do primeiro-ministro.

5 de julho

  • Azeredo Lopes anuncia ter sido constituído arguido no processo sobre o furto de Tancos, considerando que esta condição é “socialmente destruidora”.

6 de julho

  • António Costa garante manter a “total confiança” em Azeredo Lopes.

2 de agosto

  • O Tribunal da Relação de Lisboa revoga a medida de coação de prisão domiciliária aplicada ao ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão, mas manteve a proibição de contactar quaisquer outros militares ou de utilizar a Internet.

24 de setembro

  • O Presidente da República volta a negar ter tido algum tipo de conhecimento privilegiado quanto à operação na qual a Polícia Judiciária Militar (PJM) encenou a recuperação do armamento roubado dos paióis de Tancos.

26 de setembro

  • O ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes é acusado pelo Ministério Público de abuso de poder, denegação de justiça e prevaricação no "caso de Tancos" e proibido do exercício de funções.

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