Quem quer ser quando for grande? A pergunta pode parecer despropositada, até porque, na maioria dos casos, somos obrigados a escolher o futuro quando a adolescência ainda nos corre no corpo. Porém, um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia vem dizer que a distância entre os 14 e os 77 anos é muito mais que temporal.

Em 1947, os investigadores procuraram perceber a personalidade de 1.208 adolescentes escoceses. Por volta dos 14 anos, os jovens foram classificados em seis características pelos seus professores. Já em 2012, os autores do primeiro estudo foram à procura destes jovens --então com uns joviais 77 anos - e conseguiram respostas de 174 deles.

Já não andando na escola, o método para avaliar a personalidade destes ex-adolescentes teve de ser alterado. Para isso, os investigadores pediram aos próprios indivíduos para responder aos inquéritos, arrumando-se pelas características que julgavam fazer parte da sua personalidade. Para além disso, foram ainda avaliados por alguém que os conhecia bem.

Os resultados do estudo de personalidade com maior intervalo -- 63 anos -- mostraram que a personalidade dos indivíduos mudou. E mudou muito. Os investigadores descobriram que não há uma relação significativa entre a personalidade na adolescência e na reforma. Os resultados, diz o estudo “sugerem que o diferencial de estabilidade de personalidade ao longo da vida é geralmente baixo, ainda que alguns aspetos da personalidade na idade mais avançada possam ter relação com a personalidade na infância.”

Não é surpresa que os interesses e gostos de cada um mudam drasticamente. Contudo, estudos anteriores mostravam alguma estabilidade nos traços dos indivíduos. A diferença parece estar na duração: os trabalhos feitos nas últimas décadas (como este, de 1985) tinham um intervalo menor.

Afinal, “quanto maior o intervalo entre as duas avaliações, mais fraca tende a ser a relação entre as duas”, escrevem os investigadores. Os resultados “sugerem que, quando o intervalo é alargado até aos 63 anos, quase não há relação alguma”, pode ler-se no estudo.

As “diferenças individuais nos traços de personalidade estão associadas com muitos aspetos importantes da vida, como o desempenho no trabalho, comportamento criminal e comportamentos de saúde”, defendem os autores. Todavia, as razões para a alteração drástica na personalidade ao longo da vida não estão elencadas no estudo.

Porém, algumas pistas são dadas: “a avaliação dos professores [nos primeiros inquéritos] foi provavelmente enviesada pelo conhecimento do desempenho académico dos adolescentes”, escreve a revista da Sociedade Britânica de Psicologia. A demonstrá-lo, por exemplo, está a correlação entre os resultados de personalidade dados pelos professores e o QI dos alunos.

Por essa e mais algumas razões identificadas pelos investigadores (como a dimensão da amostra), é “muito difícil interpretar estas novas descobertas, ainda que sejam bastante interessantes.”, concluem os britânicos.

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