O Tribunal Superior de Londres (‘High Court’) recusou o pedido apresentado por Paulo Branco e pela produtora francesa Alfama Films, fundada e dirigida pelo português, à produtora britânica Recorded Picture Company por violação de um contrato de opção para produzir o filme.

A Recorded Picture Company tinha atribuído inicialmente a opção de produzir o filme à Alfama em 31 de março de 2016, mas Branco e Gilliam entraram em conflito e a produtora britânica fez um novo contrato com a espanhola Tornasol, que resultou na conclusão do filme.

A Alfama argumentou que o contrato que tinha assinado foi violado e reivindicou compensação financeira dos custos de pré-produção e os honorários do produtor.

Porém, o tribunal, na decisão datada de quinta-feira, indeferiu o pedido por entender que a Alfama Films e Branco “nunca tiveram uma probabilidade substancial, nada para além de uma probabilidade especulativa, de fazer o filme”.

O juiz Richard Hacon não questiona a vontade de Paulo Branco querer fazer o filme, mas diz que a falta de confiança e a deterioração no relacionamento tornaram a colaboração difícil e que não existiam perspetivas de o português conseguir financiamento suficiente.

“Penso que, mesmo que Gilliam acreditasse que Branco tinha o financiamento, a probabilidade de estar disposto a continuar a trabalhar com Branco era muito pequena. Mesmo que o desespero o tivesse levado a tentar […], teria percebido que Branco nunca angariaria dinheiro suficiente para fazer o filme”, justificou.

Há dois anos que se prolonga uma disputa legal pelos direitos do filme entre Paulo Branco, Terry Gilliam e os produtores que avançaram com a longa-metragem, entre os quais a Ukbar Filmes, de Pandora da Cunha Telles.

Depois de, em 2017, ter considerado que o contrato era válido, o Tribunal de Grande Instância de Paris declarou em 2019 que Paulo Branco não detém direitos no filme.

Em Portugal, em junho de 2018, o Tribunal de Propriedade Intelectual também negou ao produtor os direitos sobre o filme.

A longa-metragem “O homem que matou D. Quixote” teve a estreia mundial em 2018, no Festival de Cinema de Cannes (França), percorreu outros festivais e esteve em exibição em vários países.

“O homem que matou D. Quixote” é protagonizado por Jonathan Pryce e Adam Driver, um projeto antigo de Terry Gilliam, autor de filmes como “Time Bandits”, “Brazil” e “12 Macacos”, além de ter sido membro do grupo de humoristas Monty Python.

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