Após dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ) terem admitido, no Tribunal de Lisboa Oeste, em Sintra, que participaram apenas em “algumas diligências”, o Ministério Público solicitou que fosse também notificado para testemunhar o inspetor que coordenou a investigação.

O juiz presidente do coletivo que está a julgar um jovem acusado de três crimes de homicídio, dois dos quais na forma tentada, considerou a inquirição importante para “a descoberta da verdade” e deferiu o pedido.

A inquirição foi também solicitada pelo advogado do assistente, um dos três jovens atingidos por disparos na madrugada de 14 de outubro de 2013, no Beco de São José, no bairro Cova da Moura, no concelho da Amadora.

Entretanto, o advogado de Pedro, um dos dois feridos que testemunhou na anterior audiência, comunicou hoje ao tribunal que o jovem morreu no domingo, na Cova da Moura, em consequência de um acidente de mota.

O jovem, agora com 23 anos, segundo contou à Lusa um seu conhecido do bairro, morreu na sequência de um traumatismo craniano, provocado pelo acidente de mota, e deixa dois filhos órfãos e a companheira grávida.

Na anterior audiência do julgamento, Pedro recordou-se de ter sido o primeiro a ser ferido pelos disparos, mas da memória apagou-se a imagem do agressor, embora admitindo que se tenha tratado do arguido.

Segundo a acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso, “uma desavença entre dois indivíduos pertencentes a bairros rivais (Reboleira e Cova da Moura)” esteve na origem de agressões entre vários jovens.

O arguido, atualmente com 24 anos, que já tinha morado na Cova da Moura, mas que agora faria parte do grupo da Reboleira, deslocou-se pouco depois ao Beco de São José e, para “vingar” alegadas agressões, efetuou sete disparos com uma pistola de 9 milímetros na direção do grupo em que estavam Pedro, Roberto e Luís.

Pedro foi transportado ao Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, e depois transferido para Santa Maria, correndo “perigo de vida”, mas sobreviveu com ferimentos de bala, incluindo na face e no abdómen.

Roberto, que estava entre os oito jovens que na altura conversavam no beco, foi atingido a tiro na cabeça, num braço e numa perna, acabando por morrer pelas 21:35 desse dia no hospital.

Transportado ao Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), com lesões graves no abdómen, Luís também sobreviveu.

Um agente da PSP explicou ao tribunal que, depois de alertada para disparos no bairro, a patrulha policial encontrou dois jovens “caídos no solo”, com ferimentos de bala, e que não conseguiu qualquer testemunho de quem tivesse “sido o suspeito”.

Outra testemunha admitiu a ocorrência de “uma rixa” anterior numa discoteca da margem sul do Tejo, mas tinha deixado o grupo no beco pouco antes de ouvir os disparos, quando se dirigia para casa, e só mais tarde voltou ao local para ver o que tinha acontecido aos dois amigos.

O arguido, natural de Cabo Verde, encontra-se detido no Estabelecimento Prisional do Linhó, depois de já ter passado por Leiria, após ter sido condenado, no âmbito de outro processo, a uma pena por ofensa física qualificada e detenção de arma proibida.

O Ministério Público, com base também na arma usada na Cova da Moura, referenciada noutro processo, e nas cápsulas recuperadas das balas, acusou o arguido de um crime de homicídio qualificado, na forma consumada, e dois na forma tentada, e por um crime de detenção de arma e munições proibida.

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