O encontro entre os dois chefes de Estado ocorre logo depois do encerramento de um novo capítulo de tensões entre Ancara e Washington, após a entrada de tropas turcas no nordeste da Síria contra os curdos.

Trump anunciou sanções económicas contra a Turquia pela ofensiva no nordeste da Síria em meados de outubro e disse que “acabaria com a economia turca” se os curdos, aliados tradicionais dos EUA, fossem afetados.

Poucos dias depois, no entanto, o Presidente ordenou o levantamento das sanções impostas contra três ministros turcos, após chegar a um acordo em que a Turquia declarou um cessar-fogo permanente e a criação de uma “zona de segurança” na fronteira turco-síria.

Antes de partir para Washington, o Presidente turco acusou na terça-feira os Estados Unidos de não terem cumprido totalmente o compromisso de retirar as forças curdas do nordeste da Síria.

“Vou dizer ao Presidente (Donald Trump), com provas documentais, que o acordo a que chegámos (na Síria) não foi totalmente respeitado”, disse Recep Tayyip Erdogan, numa conferência de imprensa no aeroporto de Ancara.

Um acordo assinado a 17 de outubro pelo vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, durante uma visita a Ancara, abriu caminho para a suspensão da ofensiva turca lançada a 9 de outubro no nordeste da Síria para expulsar as milícias curdas — nomeadamente as Unidades de Proteção Popular (YPG), aliadas de Washington na luta ‘antijihadista’.

Este acordo prevê a retirada das YPG da fronteira turca e o estabelecimento de uma zona de segurança de 32 quilómetros de largura ao longo de uma faixa fronteiriça da Turquia em território sírio.

A compra de armas russas pela Turquia também será um dos assuntos da reunião de hoje entre os dois presidentes.

No domingo, o conselheiro de Segurança Nacional norte-americano, Robert O’Brien, admitiu estar “muito chateado” com a compra de armas russas pela Turquia.

O’Brien disse que, se a Turquia não se livrar do sistema de mísseis russo S-400, “provavelmente haverá sanções”.

Em 29 de outubro, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, com apoio bipartidário, mais sanções contra o Governo turco e as suas Forças Armadas pela ofensiva realizada no nordeste da Síria no início de outubro.

Se for aprovada pelo Senado e posteriormente ratificada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, a medida sancionará os funcionários turcos envolvidos na ofensiva turca e os bancos associados à Defesa do país até Ancara terminar as operações militares na Síria.

Além disso, o projeto de resolução ordena à Casa Branca a imposição de sanções adicionais à Turquia pela compra de sistemas de mísseis S-400 fabricados na Rússia e proíbe a exportação de armas dos EUA para o exército turco.

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