A operação foi realizada “de acordo com os direitos de legítima defesa decorrentes do artigo 51.º da Carta das Nações Unidas, a fim de eliminar os ataques terroristas do norte do Iraque e da Síria, garantir a segurança nas fronteiras e eliminar o terrorismo na sua origem”, afirma o ministério em comunicado.

O ministério alertou na sexta-feira à noite, numa mensagem na rede social Twitter, que “chegou a hora do acerto de contas”.

“Os bastardos terão de ser responsabilizados pelos seus atos traiçoeiros, após o ataque que matou seis pessoas e feriu outras 81 no coração de Istambul, em 13 de novembro”, lê-se na mensagem divulgada pela France Presse (AFP).

“Os ninhos de terror são arrasados por ataques de precisão”, acrescentou Ancara, sem especificar os alvos pretendidos.

De acordo com o comunicado, o ministro da Defesa, Hulusi Akar, “dirigiu e geriu a operação […], a partir do Centro de Operações da Força Aérea”.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) diz que a Turquia realizou 25 ataques aéreos, sendo que 15 pessoas morreram e 31 ficaram feridas. A organização não-governamental sediada em Londres adianta que morreram pelo menos nove membros das forças curdas e seis membros das forças sírias.

O Ministério da Defesa turco anunciou esta operação aérea no norte do Iraque e na Síria contra grupos curdos que Ancara responsabilizou pela explosão do passado domingo na Avenida Istiklal, que causou pelo menos seis mortos e 81 feridos.

Após o atentado em Istambul, as autoridades turcas designaram de imediato o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o YPG (Unidades de Proteção do Povo), uma milícia curda ativa na Síria, acusada pela Turquia de estar afiliada ao PKK.

Além disso, a Turquia considera as Unidades de Proteção Popular (YPG), a principal componente das FDS, uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerada terrorista naquele país.

Ambos os grupos negaram qualquer envolvimento no ataque que matou seis pessoas. No entanto, o ministro do Interior turco apontou que "tem suspeitas" de que a ordem foi dada a partir da cidade de Kobane, um dos grandes objetivos desta operação.

Na sua primeira avaliação, o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, disse hoje que a operação destruiu com sucesso "abrigos, bunkers, grutas, túneis e armazéns de terroristas" e que um "quartel-general da organização terrorista também foi atacado e destruído".

"O nosso objetivo é garantir a segurança dos nossos 85 milhões de cidadãos e das nossas fronteiras, e responder a qualquer ataque traiçoeiro contra o nosso país", avisou Hulusi Akar.

O comandante-geral das Forças Democráticas da Síria (FDS), Mazlum Abdi, disse hoje que o que aconteceu no ataque aéreo foi uma "grande catástrofe" e pediu às famílias da zona para ficarem em casa.

"Estamos a fazer tudo o que podemos para evitar uma grande catástrofe. Se a guerra começar, todos serão afetados", alertou, em declarações recolhidas pela agência curda Rudaw e divulgadas pela Efe.

Kobane foi capturado pelo Estado Islâmico (ISIS) em 2014, mas foi expulso pelas forças curdas aliadas dos Estados Unidos. As FDS têm sido um aliado fundamental dos EUA durante a guerra contra o ISIS e receberam um extenso treino militar de Washington.

Ainda no sábado, o Consulado-Geral dos EUA em Erbil emitiu um alerta de segurança sobre uma iminente ofensiva turca na região do Curdistão e no nordeste da Síria, enquanto o Departamento de Estado aconselhou os seus cidadãos a não viajarem para a região.

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