“Necessitamos do apoio de todos para que [o acesso de peritos] aconteça. Estamos preparados”, disse o argentino Rafael Grossi num discurso durante a sessão de abertura da conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNNP) que decorre na sede da ONU até 26 de agosto.

O chefe da AIEA recordou que desde há dois meses que uma equipa de peritos está disponível para se deslocar à Ucrânia e analisar a situação em Zaporijia, mas até ao momento sem obterem autorização.

“A inação é inconcebível e enquanto a guerra prossegue”, sublinhou Grossi, para acrescentar ser possível que o conflito provoque “uma tragédia nuclear”, pelo facto de a situação nesta central “ser dia após dia cada vez mais perigosa”.

Zaporijia, a maior central nuclear da Europa em potência produzida, encontra-se sob controlo das forças russas desde março, e com a AIEA a indicar desconexões frequentes no fornecimento de dados sobre a situação da central.

Em junho, a Ucrânia opôs-se a uma visita da AIEA às instalações por considerar que com essa medida estariam a “legitimar a permanência dos ocupantes russos”, enquanto Moscovo assegura que a central funciona com normalidade.

Por sua vez, Grossi abordou hoje outras das questões mais prementes no âmbito da proliferação nuclear, ao referir-se às negociações sobre o programa nuclear iraniano e à situação na Coreia do Norte.

No caso do Irão, o chefe da AIEA indicou que a agência necessita de recuperar o pleno acesso ao país, caso Teerão pretenda fornecer garantias credíveis de que o seu programa é exclusivamente civil.

Teerão, que acelerou os seus esforços nucleares na sequência da retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo global de 2015, assegurou hoje que já tem capacidade para produzir uma bomba atómica, mas não tenciona fazê-lo.

“A ausência de progressos na verificação da natureza pacífica do programa nuclear terá consequências no panorama da segurança regional”, advertiu Grossi.

Sobre a Coreia do Norte, o argentino disse que a AIEA está preparada para regressar ao país quando existir um acordo com as autoridades de Pyongyang, após 13 anos de ausência que permitiram aos norte-coreanos “expandir as suas capacidades de armas nucleares”.

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