"A nossa estratégia é criar mais respostas ao nível do atendimento. Já existem respostas de emergência, mas estamos a alargar a rede. Com o dinheiro do Portugal 2020, vamos alavancar esta rede. Pensamos que até 2020 poderemos ter mais de 100 respostas em todo o país", disse Catarina Marcelino, acrescentando que era necessário começar onde existiam menos respostas e que o Governo pretende privilegiar o interior, ressalvando, no entanto, que se trata de “uma estratégia deverá ser alargada a todo o território nacional”.

O Centro de Ocupação Infantil (COI) assinou, esta quarta-feira, o protocolo de cooperação com o Instituto de Segurança Social para a abertura da Casa Abrigo Dolores, a primeira casa abrigo do Concelho de Palmela, numa cerimónia em que falou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. Esta casa visa acolher e proporcionar condições básicas de sobrevivência, prestar apoio psicológico e social, e promover o desenvolvimento das capacidades de mulheres em risco, com ou sem filhos menores, que não dispõem de outros recursos para além da institucionalização, com vista à sua progressiva inserção social e equilíbrio familiar.

Catarina Marcelino confessou que esteve ao lado da Fundação COI a lutar para que esta casa abrisse. “Estive cá na inauguração, a 8 de março de 2013. Foram três anos em que a Segurança Social não inscreveu o financiamento desta casa em orçamento de programa", confirmou Catarina.

Durante a cerimónia, a secretária de Estado anunciou, também, a intenção do Governo de apostar em novas respostas contra a violência doméstica, "numa lógica de inovação social, de experimentação e de entrar em novos campos que podem ser necessários, mas que nunca foram experimentados". Uma das possíveis respostas, é a criação de casas-abrigo para homens, com um projeto-piloto que deverá arrancar já no próximo mês de setembro, no Algarve. "No Algarve, com uma IPSS que tinha um apartamento disponível, onde já tinha funcionado uma casa-abrigo vamos, durante um ano, testar uma resposta para homens. É uma casa com capacidade para receber dez homens e crianças. Ao fim de um ano avaliamos. Se fizer sentido, pensaremos em manter e alargar essa resposta", esclareceu a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade.

Uma terceira área de intervenção, referida também por Catarina Marcelino, passa pela criação de uma resposta para mulheres portadoras de deficiência intelectual, uma área para a qual disse não haver ainda uma resposta especializada. "Muitas vezes surgem mulheres que são vítimas de violência doméstica e que têm deficiência intelectual, para as quais as casas-abrigo, como esta que hoje inauguramos, não têm as condições adequadas para as receber e que ficam sem respostas", disse, adiantando que já está a preparar uma nova resposta para este tipo de situações. "Estamos a trabalhar com a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci) e com a Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades de Águeda (Cerciag), que foi a entidade que se mostrou mais disponível, mas a ideia não é concentrar na CERCIAG, é ter mais do que uma resposta", sublinhou.

Catarina Marcelino destacou ainda um projeto de educação para a cidadania para todas as escolas públicas a nível nacional, com um trabalho continuado do 1.º ciclo ao 12.º ano, “na área dos direitos humanos, da cidadania, da não-violência e da igualdade de género”, acrescentando que o objetivo do projeto, atualmente a ser trabalhado com o Ministério da Educação, é "contribuir para que os cidadãos portugueses não sejam tão violentos e para que a violência doméstica comece a desaparecer da sociedade portuguesa".

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