A posição foi expressa pelo porta-voz do segundo maior partido da oposição angolana, Alcides Sakala, em declarações hoje à agência Lusa.

O anúncio do início do julgamento, previsto para sexta-feira, foi hoje comunicado pelo juiz-presidente do Tribunal Provincial de Luanda, João Pedro Fuantoni, que mais tarde deu conta do seu adiamento, a pedido da defesa, para o dia 2 de dezembro.

Alcides Sakala negou qualquer ligação do partido com a situação, realçando que no ano passado aquela força política, na voz do seu antigo secretário-geral, Vitorino Nhany, tinha já denunciado a criação do referido grupo, pelos serviços de inteligência de Angola, “na tentativa de procurarem sacar algum dinheiro dos cofres do Estado para justificar uma determinada ação contra a UNITA”.

“Isto foi no ano passado, depois evoluiu até janeiro, quando surgiram aquelas informações sobre isto. Este processo ficou quase esquecido até que surge agora”, referiu.

Questionado se a UNITA foi alguma vez chamada a prestar algum esclarecimento no âmbito das investigações, o dirigente e deputado negou.

“Porque não temos absolutamente nada a ver com sito, porque já denunciamos naquela altura que era mais uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública nacional da situação que o país estava a viver então, e que continua a divisar-se”, disse.

Para Alcides Sakala, trata-se de “mais um artifício do Executivo angolano para se criar um ambiente de medo”.

“Numa altura em que se falam de manifestações, que a sociedade civil vai organizar e que o país prepara-se para realizar eleições no próximo ano”, sublinhou.

Acrescentou que a UNITA está a fazer um apelo à serenidade e à manutenção da vigilância, ao mesmo tempo que reafirma a vontade do partido de dar a sua contribuição para a consolidação da paz em Angola e a criação efetiva de um estado de direito e democrático.

O Tribunal Provincial de Luanda inicia no próximo dia 2 de dezembro o julgamento de 37 cidadãos acusados de vários crimes, nomeadamente de tentativa de um assalto à mão armada ao Palácio Presidencial, a Televisão Pública de Angola e a Rádio Nacional de Angola.

Os suspeitos, 35 detidos e dois foragidos, são acusados de associação de malfeitores, atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, e posse ilegal de arma de fogo.

São, na sua maioria, militares desmobilizados das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço militar da UNITA, durante a guerra civil, que terminou em 2002.

A acusação aponta que à volta de 60 pessoas concentraram-se na noite de 30 de janeiro de 2016 em “locais estratégicos”, nas imediações da Cidade Alta e do Largo 1º de Maio, em Luanda, cujo objetivo seria o assalto ao Palácio Presidencial e “tomar as instalações” daqueles órgãos de comunicação social estatais.

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