Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do maior partido da oposição angolana, Alcides Sakala, sublinhou que se trata de um assunto interno ao MPLA, que “saberá encontrar os melhores caminhos” para aquela formação política, liderada por José Eduardo dos Santos desde 1979.

“Penso que é preciso esperar para acreditar. Já muitas vezes houve anúncios desta natureza, em que apenas mudaram-se as estratégias, portanto vamos esperar para acreditar”, disse o político.

Alcides Sakala referiu ainda que são vários os exemplos em África de que as bicefalias se transformaram “em fator de instabilidade e de bloqueio de quem governa”.

“Mas como disse é uma questão interna do MPLA, o partido tem maturidade o suficiente para encontrar as melhores vias, que possam permitir que o novo Presidente (da República) funcione sem fontes de bloqueio, mas vamos aguardar para acreditar”, reiterou.

A realização de um congresso extraordinário foi hoje aprovada na reunião do bureau político do MPLA, orientada por José Eduardo dos Santos, bem como a candidatura de João Lourenço, atual vice-presidente, ao cargo de presidente do partido.

A 16 de março último, no discurso de abertura da 5.ª sessão ordinária do Comité Central do MPLA, realizado em Luanda, José Eduardo dos Santos, de 75 anos, propôs a realização de um congresso extraordinário para dezembro deste ano ou abril de 2019.

Durante a intervenção, José Eduardo dos Santos, que foi chefe de Estado em Angola durante 38 anos e não concorreu às eleições gerais de agosto passado, recordou que se comprometeu a envolver-se pessoalmente no grupo de trabalho que ao longo de 2018 vai “preparar a estratégia” do MPLA para as primeiras eleições autárquicas em Angola.

Contudo, a proposta não terá merecido o consenso dos militantes, tendo o comunicado final da mesma reunião informado a realização, este ano, de duas reuniões de reflexão sobre a proposta apresentada, a primeira, em abril – realizada hoje -, pelo bureau político e a segunda, em maio, pelo Comité Central.

Nos últimos tempos têm crescido os comentários na sociedade angolana sobre a existência de uma suposta bicefalia entre o chefe de Estado angolano e vice-presidente do MPLA, João Lourenço, e o líder do partido, José Eduardo dos Santos, em que se incluem críticas internas sobre a situação.

José Eduardo dos Santos, líder do MPLA desde 1979, anunciou em 2016 que este ano deveria deixar a vida política ativa.

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