O presidente do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta, Luís Manuel Martins Amaro, foi hoje ouvido na Comissão de Saúde, no parlamento, numa audição requerida pelo PSD, "a propósito da degradação das condições de funcionamento dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", e pelo PCP, que o quis questionar "sobre o encerramento das urgências pediátricas no período noturno do Hospital Garcia de Orta".

Luís Amaro salientou que a anterior administração e a atual têm tentado contornar a falta de médicos pediatras desde 2016, uma situação que levou à necessidade de encerramento das urgências pediátricas duramente o período noturno e aos fins de semana em novembro de 2019.

“Com o trabalho de todos, eu direi que não é possível retomar de imediato a urgência, mas, tanto quanto possível, e na sequência do próximo concurso de abril, se tudo correr como nós acreditamos que irá correr, teremos condições, de uma forma faseada, abrir a urgência pediátrica 24 horas”, disse.

O Ministério da Saúde anunciou em janeiro que vai avançar com a contratação direta de cinco pediatras para este hospital.

Luís Amaro salientou que, desde 2016 e até agora, saíram do Hospital Garcia de Orta, em Almada, 14 pediatras, a generalidade porque “há um apelo muito significativo por parte de unidades privadas que abriram na grande Almada e na grande Lisboa que levaram à saída dos melhores através de ordenados” que o serviço público “não consegue acompanhar” e duas por aposentação.

Em contrapartida, foram contratos três recém-especialistas no mesmo período, sublinhou.

Luís Amaro salientou que a administração está a “mostrar as potencialidades do serviço”, no sentido de cativar novos médicos recém-especialistas para áreas como neonatologia, subespecialidades de pediatria e o centro de desenvolvimento da criança, que também farão urgências.

Está também a trabalhar para pôr em prática um protocolo que já está assinado, pelo que “em breve” o Garcia de Orta terá o apoio junto dos hospitais de Santa Maria e de D. Estefânia.

Negociações semelhantes estão a decorrer com o Centro Hospitalar de Lisboa Central, acrescentou.

“Se todas estas condições se vierem a verificar, entendemos que, em abril, poderemos ter condições - não diria para os sete dias da semana - mas para começarmos a abrir eventualmente ao fim de semana e, à medida que formos captando recursos, podermos abrir o funcionamento em pleno da urgência”, reiterou.

Devido à falta de especialistas, a urgência pediátrica daquela unidade hospitalar, localizada em Almada, começou por fechar todos os fins de semana em outubro do ano passado, entre o final de sexta-feira e a manhã de segunda-feira.

Desde 18 de novembro de 2019 que este serviço voltou a abrir ao fim de semana, durante o dia, mas passou a estar encerrado todas as noites, entre 20:00 e as 08:00.

Hoje, o responsável sublinhou no parlamento que “nunca esteve em causa o funcionamento em termos definitivos” da urgência, devido à responsabilidade do hospital em se articular com os hospitais da península de Setúbal.

Luís Amaro salientou ainda que o alargamento do horário de funcionamento dos centros de saúde de Almada e Seixal para ajudar a minimizar a situação “não é a resposta desejável”.

“O número de crianças que foram transferidas neste período de encerramento, de 18 de novembro até 16 de fevereiro, [de centros de saúde] para serviços de urgência foram apenas de 41, o que representa 1,8% das crianças atendidas nos cuidados de saúde primário”, afirmou.

No mesmo período, no atendimento complementar de Almada e do Seixal, entre as 10:00 e as 17:00 aos fins de semana e diariamente das 08:00 às 24:00 foram atendidas um total de 2.298 crianças, acrescentou.

Isto dá nota de que é forçoso que todos os hospitais em geral têm de “pensar na melhor forma de reorganizar as urgências”, porque “continuamos a ter um número muito significativo de situações não urgentes que poderiam ser atendidos noutras unidades de cuidados de saúde primários, considerou.

Luís Amaro destacou ainda que o orçamento destinado ao Garcia de Orta aumentou em relação a 2018 “à volta de dois milhões de euros, sendo este ano à volta de 169 milhões de euros, “porque foram identificadas várias carências”.

Entre elas, salientou um investimento de 10 milhões de euros com cofinanciamento com fundos de programas europeus para adquirir uma nova ressonância magnética e um novo TAC, “que está para autorização do Tribunal de Contas”, além de “um conjunto de necessidades em termos de obras”.

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