De manhã realizou-se a assinatura das cartas de compromisso com as duas associações que vão ficar responsáveis por este serviço em Lisboa, no caso a ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) Portugal e a Casa Qui, uma associação especializada nas questões de orientação sexual ou identidade de género, que trabalha sobretudo com adolescentes.

No norte, o serviço vai ficar à responsabilidade da Associação Plano I, em Matosinhos, cuja área de atuação tem a ver com o combate às situações de desigualdade, discriminação, violência ou exclusão.

Em declarações à agência Lusa, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, explicou que as cartas de compromisso agora assinadas servem para criar respostas de atendimento a vítimas de violência de género que sejam LGBTI.

“Estas respostas vêm no âmbito do plano nacional para a igualdade e nós entendemos que, além das respostas tradicionais da violência, também há áreas específicas onde sabemos que há discriminação”, adiantou Catarina Marcelino.

Segundo a secretária de Estado, este serviço vai ser financiado com verbas dos jogos sociais do Estado, cabendo a cada organização 37 mil euros por ano, sendo o valor global superior a 110 mil euros.

Este apoio financeiro vai ter como objetivo a constituição de equipas técnicas especializadas para o atendimento das pessoas LGBTI.

Catarina Marcelino sublinhou que, entre as duas associações que vão ter este serviço em Lisboa, a Casa Qui tem a particularidade de ir dar uma resposta específica para jovens LGBTI.

“Jovens que precisam de apoio, ou porque são vítimas de ‘bullying’, ou são vítimas de violência, ou até porque são vítimas de discriminação. Jovens que precisam de apoio psicológico e social”, apontou.

Por outro lado, a secretária de Estado aproveitou para sublinhar que, durante o ano passado, a ILGA, através do seu Observatório da Discriminação, recebeu 158 denúncias de crimes ou incidentes contra pessoas LGBTI, 81 das quais apresentadas pelas próprias vítimas.

Apontou que em 70% dos casos as vítimas tinham entre 18 e 39 anos, sendo que em 18% tinham menos de 18 anos de idade.

Por seu lado, a vice-presidente da ILGA Portugal apontou que este tipo de apoio já vem sendo disponibilizado pelos serviços da associação, sendo a primeira vez que recebem qualquer apoio estatal.

De acordo com Ana Aresta, a ILGA tem recebido “muitos pedidos de ajuda” e “os números têm vindo a aumentar”, tendo também recebido “cada vez mais denúncias” através do Observatório da Discriminação.

“É de facto importante que esta estrutura exista e que haja um acompanhamento específico para pessoas LGBT na área da violência”, defendeu, acrescentando que o serviço vai ter um técnico especializado no apoio às vítimas.

Já pela associação Casa Qui, Rita Paulos sublinhou que este acordo com o Governo traz dois aspetos “muito importantes”, um dos quais a existência de uma resposta especializada, com pessoas com formação a trabalhar nesta área.

Por outro lado, entende que com este serviço será possível acabar com a ‘revitimização’ das pessoas LGBTI de cada vez que têm de pedir ajuda, sublinhando que “nem sempre a abordagem é a mais correta em relação ao contexto”.

“Connosco, a população LGBTI sabe que não corre esse risco”, garantiu, sublinhando que a adolescência é “uma fase primordial” e que a taxa de suicídio entre os jovens adolescentes LGBTI é “muito elevada”.

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