Quando foi identificada a varíola-dos-macacos pela primeira vez?

A doença foi identificada pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, depois de o vírus ter sido detetado em 1958 na sequência de dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colónias de macacos mantidos em cativeiro para investigação - daí o nome "Monkeypox" ("monkey" significa macaco e "pox" varíola).

O Monkeypox pertence ao género 'Orthopoxvirus', que inclui o vírus da varíola, o vírus 'Vaccinia' (usado na vacina contra a varíola) e o vírus da varíola bovina.

Quais os sintomas e como se tratam?

Em humanos, os sintomas da infeção com o vírus Monkeypox são semelhantes, mas mais leves, aos da varíola. No entanto, ao contrário da varíola, a Monkeypox faz com que os gânglios linfáticos inchem.

O período de incubação (tempo desde a infeção até ao aparecimento dos sintomas) do vírus Monkeypox é geralmente de 7 a 14 dias. A doença dura, em média, duas a quatro semanas.

Apesar de a doença não requerer uma terapêutica específica, a vacina contra a varíola, antivirais e a imunoglobulina 'vaccinia' (VIG) podem ser usados como prevenção e tratamento para a Monkeypox.

Como vai o estudo da doença em Portugal?

Portugal foi o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus. A informação foi hoje divulgada em comunicado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), onde uma equipa de investigadores "foi a primeira a identificar a sequência genética do vírus Monkeypox", em circulação em vários países, incluindo Portugal, onde foram detetados 37 casos até ao momento.

Segundo o INSA, a sequenciação genética do vírus, endémico na África Ocidental e Central, "poderá ser fundamental para compreender a origem do surto e as causas para a rápida disseminação da doença", que é rara.

O vírus foi sequenciado "alguns dias" após a confirmação dos primeiros casos de infeção humana em Portugal por especialistas do Núcleo de Genómica e Bioinformática do INSA, que partilharam a informação com a comunidade científica internacional.

O INSA realça que "os esforços dos especialistas" do instituto "tinham já permitido a Portugal ser dos primeiros países a confirmar laboratorialmente casos suspeitos desta doença, tendo o rápido diagnóstico sido efetuado através das metodologias já implementadas na Unidade de Biopreparação e Resposta a Emergências do Departamento de Doenças Infecciosas".

Afinal, o que está em causa?

O comunicado do INSA esclarece que a doença que tem o nome do vírus é zoonótica, em que roedores e primatas não humanos, como macacos, podem ser portadores de Monkeypox e infetar pessoas.

O vírus é transmitido de uma pessoa para outra por contacto próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.

Quais os cuidados a ter?

A Direção-Geral da Saúde recomenda às pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, a procurarem aconselhamento médico. Perante sintomas suspeitos, as pessoas devem abster-se de contactos físicos diretos.

O que está a acontecer noutros locais pelo mundo?

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças aconselhou hoje os países a atualizarem os meios de rastreio e diagnóstico para o vírus Monkeypox, quando já existem 67 casos em nove Estados-Membros da União Europeia, entre os quais Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia.

Fora da Europa, o vírus já foi detetado nomeadamente nos Estados Unidos, Israel, Canadá e Austrália.

É possível travar os contágios?

A transmissão do vírus Monkeypox pode ser interrompida na Europa, afirmou hoje a afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que regista menos de 200 casos confirmados e suspeitos em países não endémicos.

“Queremos parar a transmissão de pessoa para pessoa. Podemos fazer isso nos países não endémicos. Estamos numa situação em podemos usar as ferramentas de saúde pública para uma rápida identificação e isolamento dos casos”, adiantou Maria Van Kerkhove, especialista da OMS para área das doenças emergentes e zoonoses (doenças de animais que são transmissíveis ao homem).

Contudo, é esperado que os casos de varíola-dos-macacos continuem a aparecer nos próximos tempos, já que o foco e a rota de contágio ainda não foram estabelecidos.

"A situação está a evoluir de tal forma que a OMS acredita que haverá mais casos de varíola a serem identificados à medida que a vigilância for estendida em países que não são endémicos", refere uma nota epidemiológica da organização.

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