"O Bloco de Esquerda não apoia nem nunca apoiou Nicolás Maduro [Presidente da Venezuela], mas isso não significa que um desastre possa ser corrigido com uma asneira", disse Marisa Matias, no jantar do primeiro dia das jornadas parlamentares do BE, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro.

Aquilo que foi o "comportamento absolutamente irresponsável do Parlamento Europeu e agora do Governo português é poder precisamente converter o que é uma situação desastrosa numa asneira com uma possibilidade enorme de conflito e de guerra civil", afirmou.

"Nós, no Bloco de Esquerda, não estamos ao lado de Trump [Presidente norte-americano] nem de Bolsonaro [Presidente do Brasil] em relação à Venezuela. No Bloco de Esquerda estamos ao lado de Guterres [secretário-geral da ONU] e das Nações Unidas", clarificou.

A cabeça-de-lista do BE às eleições europeias de maio fez questão de "denunciar os oportunismos de última hora".

"Os oportunismos de PSD e do CDS que estendiam passadeiras vermelhas ao ex-ministro e agora Presidente Nicolás Maduro, porque punham os negócios à frente dos direitos humanos e que agora vêm fingir que defendem os direitos humanos para depois tratar dos negócios", criticou.

Assim, Marisa Matias não aceita "lições de moral de Paulo Portas que, em 2014, saudava o Presidente Nicolás Maduro pela atitude sempre amiga com que o Governo da Venezuela encarou as relações com Portugal".

"Amigos em 2014, inimigos em 2019. Nós tivemos uma leitura sempre coerente, não são eles que nos vão dar lições de moral", atirou.

Portugal reconhece e apoia a legitimidade de Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela com a missão de organizar eleições presidenciais livres e justas, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Por seu lado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, informou que acompanha a decisão do Governo, transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Portugal e outros 18 países da União Europeia assinaram hoje uma declaração conjunta de reconhecimento a Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, maioritariamente da oposição, como “presidente interino da Venezuela” com o objetivo de convocar “eleições presidenciais livres, justas e democráticas”.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos da América e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, maioritariamente da oposição, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

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