"Depois de um fluxo bastante intenso, os valores estabilizaram. Estimamos em menos de 10 mil os cidadãos portugueses, luso-venezuelanos ou cidadãos venezuelanos com ligações familiares a cidadãos portugueses ou luso-venezuelanos que tenham vindo para Portugal, quer para a Madeira, quer para o continente desde há dois anos", disse.

O chefe da diplomacia falava hoje aos jornalistas, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, à margem da apresentação do programa das comemorações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos 40 anos da adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Santos Silva adiantou ainda que se tem registado um aumento de cidadãos de nacionalidade venezuelana que pediram autorização de residência em Portugal e de pedidos de nacionalidade por parte de descendentes de portugueses.

"Temos notado esse aumento designadamente nos consulados de Caracas e Valência e, por isso, os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça reforçaram os seus meios para que esses processos de nacionalidade sejam despachados no mais curto prazo", referiu.

O ministro adiantou que não existem informações de que haja portugueses ou luso-venezuelanos "envolvidos nos fluxos de migração e no conjunto daqueles caracterizados como refugiados", que a partir da Venezuela têm ido para a Colômbia, Brasil ou Equador.

"Mas temos notícia, através dos consulados ou secções consulares em países como a Argentina, Colômbia, Chile, Panamá e o próprio Brasil, da subida, ao nível das centenas ou poucos milhares, de cidadãos com nacionalidade portuguesa que viviam na Venezuela e que agora estão a migrar para esses países", revelou.

Augusto Santos Silva lembrou a suas visitas recentes à Colômbia e Panamá, sublinhando o empenho do Governo português na regularização dessas pessoas.

"Junto das autoridades venezuelanas, temos defendido os interesses da comunidade portuguesa, designadamente daquela que contribui muitíssimo para a economia venezuelana [...] e que não pode ser prejudicada por medidas de política económica tomadas pelo governo venezuelano", disse.

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