“Onde há uma pessoa como o Presidente (Nicolás) Maduro, que quer trabalhar, não vão poder continuar metendo as mãos, e eles (os Estados Unidos) estão sempre pendentes do que estamos fazendo, quais são os problemas económicos, mas Maduro vai continuar a trabalhar e vai-nos dar paz e tudo o que os venezuelanos querem”, disse um eleitor à Agência Lusa.

José António Hernández, 38 anos, oficial de segurança, explicou que levantou-se cedo para votar, porque com a Assembleia Constituinte “vai haver paz, abastecimento de alimentos, segurança para todos. Vamos viver tranquilos, não será como antes”.

“Com as Forças Armadas que temos, aqui não há medo, não há temor de que possam acabar connosco. Não. Estamos aqui, lutando diariamente. Com o ministro da Defesa que temos, Padrino López, que está no comando, fará todo o possível, para que os Estados Unidos não continuem ‘metendo as mãos'” no país, disse.

Do outro lado, explicou, “há uns (opositores) que não querem deixar trabalhar o Presidente Maduro e por isso com a Constituinte, vamos estar melhor”.

“Muitas coisas vão mudar na Constituição, no que respeita à justiça e à segurança do país para todos. O Clap (bolsa de géneros subsidiada pelo Governo) vai ter mais alimentos e isso é o que esperamos”, explicou.

Segundo José António, “tudo vai ser arranjado” e também vai terminar “a corrupção” que existe no país e que, no seu entender, é da responsabilidade da oposição.

“Mas, já tudo isto vai mudar, com a ajuda de Deus e do comandante supremo (Hugo Chávez, presidiu o país entre 1999 e 2013). Convido todos os venezuelanos para que venham votar, o processo é rápido e esta noite será de celebração de uma vitória que passará os dez milhões de votantes”, disse.

Em Caracas, pelas 08:00 horas locais (13:00 horas em Lisboa) alguns centros eleitorais registavam pessoas em fila para votar, no entanto em número bastante inferior ao que se registaram nas últimas eleições presidenciais e legislativas na Venezuela, inclusive em zonas como Cátia (oeste) onde existem bolsas eleitorais afetas ao ‘chavismo’.

Apesar de o Conselho Nacional Eleitoral ter dado instruções para limitar o acesso da imprensa a 500 metros dos centros eleitorais, as rádios e televisões estatais divulgaram imagens dos centros eleitorais, declarações, e do momento em que votaram vários políticos afetos à revolução, em diversas partes do país.

Ainda em Caracas, no leste da capital, haviam algumas barricadas, principalmente em Altamira e Los Palos Grandes, que obrigavam os motoristas a procurar vias alternativas.

Em urbanizações como La Florida eram visíveis destroços de bloqueios parciais de ruas, que não impediam as pessoas de passar a pé.

A circulação de viaturas, nalgumas zonas da capital era bastante menor, mas eram visíveis vários autocarros a prestar serviço aos passageiros em várias zonas como La Candelária (centro), onde há registos de grande repressão policial, durante a última noite.

El Paraíso e Montalbán (sudoeste) registavam ainda menos trânsito que noutras zonas.

Pelo menos quatro pessoas faleceram, nas últimas 24 horas, na Venezuela, um deputado opositor, um candidato à Assembleia Constituinte e manifestantes da oposição.

A convocatória para a Assembleia Constituinte foi feita a 01 de maio pelo Presidente, Nicolás Maduro, com o principal objetivo de alterar a Constituição em vigor, nomeadamente os aspetos relacionados com as garantias de defesa e segurança da nação, entre outros pontos.

Ao convocar as eleições, Maduro alterou a forma de votação e as circunscrições por forma que as zonas rurais (nas quais o regime tem mais apoio) tenham mais poder de voto que, por exemplo, a capital Caracas (onde o anti-chavismo é mais forte). Também proibiu candidaturas apoiadas por partidos (ainda que muitos dos candidatos provenham dos partidos que apoiam o governo) e a organizou a constituição do futuro órgão de forma que este venha a ser composto por organizações que o regime apoiou diretamente ao longo dos anos.

A oposição venezuelana, que decidiu não participar nas eleições, acusa Nicolás Maduro de pretender usar a reforma para instaurar no país um regime cubano, adiar as eleições e perseguir, deter e calar as vozes dissidentes.

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