“A maioria da população africana é jovem. E os líderes africanos não têm conseguido criar empregos ao ritmo que é preciso. O Fundo Monetário Internacional [FMI] estima que precisaremos de 18 milhões de novos empregos todos os anos até 2035 só para absorver essa população crescente”, observou, na Web Summit, a decorrer em Lisboa, num painel sobre o investimento em África.

Para Grant Harris, a circunstância de existir em África “uma população cada vez mais ligada em rede, sem acesso a empregos ou crescimento económico” está a criar “um verdadeiro perigo em termos de instabilidade”.

“E a instabilidade não conhece fronteiras”, advertiu.

O ex-conselheiro de Obama e fundador da fundação Africa Partners considerou ainda existirem “muitas razões para investir em África”, um “continente jovem e em crescimento, cada vez mais urbanizado e ligado em rede”, mas lembrando a necessidade de os governos africanos fazerem mais para “criar um melhor ambiente de negócios”.

“Há um interesse crescente em África, não apenas da China, mas também da Turquia, do Brasil, da União Europeia. Há uma atividade crescente. É obviamente um mercado muito dinâmico e muito diverso. Mas é preciso lá estar para começar a ter o retorno”, afirmou, apontando a agricultura como um setor com boas perspetivas – “África tem quase 60 por cento da terra arável no mundo e que não está atualmente a ser aproveitada”, disse.

No painel, Yonov Frederick Agah, diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), criticou por seu turno o facto de muitos investidores “olharem apenas os desafios de investir em África” e não para as oportunidades, nomeadamente criadas pelos processos em curso de integração regional e pelas “novas sinergias” que criam.

Yonov Agah defendeu ainda que sejam “valorizadas as reformar que estão a ser levadas a cabo em África”, sob pena de “ver retrocessos em África” nos próximos anos.

Já Mariéme Jamme, ativista e fundadora do movimento “iamtheCODE”, considerou África “a nova fronteira”, um continente que “está a crescer rapidamente” e onde existem “oportunidades incríveis” e múltiplos “casos de sucesso”.

“Não fiquem à espera que África se torne perfeita para investir em África”, frisou

Mariéme Jamme deu como bom exemplo do que deve ser feito os “muitos portugueses que estão a investir em Moçambique”.

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