A crise dos refugiados foi o tema que dominou a 59ª edição do World Press Photo. O júri premiou a reportagem fotográfica de Warren Richardson, feita em agosto de 2015, com refugiados na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. O trabalho valeu-lhe o grande prémio e também o primeiro prémio na categoria "Spot News".

O fotojornalista Mário Cruz, da agência Lusa, venceu o primeiro prémio na categoria "Contemporary Issues", com uma reportagem sobre tráfico e exploração de trabalho infantil no Senegal, com crianças senegalesas e guineenses.

Na fotorreportagem, publicada na Newsweek, Mário Cruz testemunha as condições em que vivem algumas das crianças vítimas de uma rede criminosa de exploração infantil.

Nascido em Lisboa em 1987, Mário Cruz é fotojornalista da agência Lusa desde 2008. Em 2014, venceu o prémio de fotojornalismo da Estação Imagem Mora, com a reportagem "Cegueira recente".

No ano passado, a reportagem "Roof", sobre a crise em Portugal, retratando a realidade de quem vive em locais abandonados de Lisboa, valeu-lhe o prémio Magnum "30 Under 30" e esteve em destaque no New York Times.

De acordo com a organização, a escolha de imagens foi feita entre 82 951 fotografias realizadas por 5 775 fotógrafos de 128 países diferentes.

A fotografia vencedora foi feita a 28 de agosto de 2015, na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. Warren Richardson, nascido na Austrália, em 1968, é um fotojornalista freelancer que trabalha neste momento no Leste da Europa.

Em declarações ao The Guardian, Richardson explicou a história da fotografia: "Havia cerca de 200 sírios que estavam escondidas numa quinta com macieiras, à procura de uma forma de passar a fronteira". O fotojornalista explicou que esteve preso com o grupo durante cerca de quatro horas em que eles “estavam numa luta de gato e rato com a polícia, ao serem atingidos pela polícia com gás pimenta. A polícia gritava: “Não venham para a Hungria ilegalmente - se vocês chegarem aqui nós vamos prendê-los”".

O fotojornalista explicou ainda que "sabia o que tinha que fazer [para cruzar a fronteira], de modo que quando eles tinham de ficar quietos, eu tinha de ficar quieto. Eu tive que seguir o código deles, porque não queria quebrar as suas regras e prejudicá-los".

O próprio fotojornalista assumiu ter engolido em seco, depois de ter visto a fotografia pela primeira vez. Francis Kohn, presidente do júri do World Press Photo, afirmou que a imagem “tem tanto poder pela sua simplicidade, especialmente pelo simbolismo do arame farpado”.

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