Foi há dois anos e dois dias que aconteceu aquele pontapé. De sonho para milhões de portugueses, de pesadelo para outros tantos (um bocadinho mais, vá) franceses. Dentro de campo estava o jovem Paul Pogba, na altura ainda jogador da Juventus, mas já com as manchetes dos principais jornais desportivos a ‘devolverem’ o médio gaulês ao clube onde foi formado, o Manchester United, que passava a ser de José Mourinho.

No próximo domingo a França vai disputar a segunda final consecutiva em grandes competições de seleção em que participa. E, em 2018, Pogba é um dos sobreviventes dessa final. Não são muitos. Ao médio dos red devils juntam-se apenas os guarda-redes Hugo Lloris e Steve Mandanda, o defesa Samuel Umtiti, os médios N’Golo Kanté e Matuidi e os avançados Antoine Griezmann e Olivier Giroud.

A primeira queda foi grande, em casa, perante o seu público e a necessidade de afirmação de uma nova geração francesa capaz de conquistar troféus como a dos anos 90. Mas aquele pontapé inesperado de Éder que coroou tardiamente uma outra geração, a portuguesa, tirou-lhes o sonho. Mas a afirmação tinha sido feita: olhem para esta França.

“Contra Portugal achávamos que estava ganho antes do jogo ter começado. Isso não pode voltar a acontecer”, Pobga

Para isso bastava somar uma seleção capaz de alcançar a final de um Campeonato da Europa e cimentá-la com as soluções que surgiram e se solidificaram em dois anos e que permitiram que, de forma indubitável, a seleção gaulesa pudesse ser considerada uma das melhores, se não a melhor, deste Mundial. Aos nomes acima citados surge a solidez defensiva da dupla Raphael Varane e Samuel Umtiti e a velocidade supersónica de Kylian Mbappé que nos entusiasma a todos.

A final não está ganha, mas parece, pelo menos, teoricamente. E Pogba tem medo disso, porque o médio não esquece. “Contra Portugal achávamos que estava ganho antes do jogo ter começado. Isso não pode voltar a acontecer”, confessa o jogador do Manchester United. Aquela final no Stade de France não lhe sai da cabeça. “Não queremos cometer os mesmos erros de há dois anos. No Europeu pensámos que estava feito, mas a mentalidade não é a mesma agora. Não posso mentir, quando ganhámos à Alemanha na meia-final pensámos que essa era a final. Sei qual é o sabor de perder uma final e não quero voltar a sentir isso”, sublinhou.

Umtiti viu, ninguém lhe contou

O defesa central do Barcelona atuava, há dois anos, no Lyon. Na altura, tal como Pogba, foi um dos eleitos de Didier Deschamps para defender as cores francesas no Europeu caseiro. Foi, aliás, titular na derrota diante da equipa das Quinas naquela final do dia 10 de julho. Estava, aliás, a pouca distância de Éder quando o português disparou aquele pontente remate.

"Temos de voltar à Terra porque temos uma final muito importante", disse o jogador em conferência de imprensa. Porquê? Porque a derrota diante de Portugal ainda paira no ar. "Os jogadores que participaram naquele jogo sabem o fizeram de errado e o que não temos que voltar a repetir”, disse Umtiti.

Umtiti celebra o golo marcado frente à Bélgica nas meia-finais do Campeonato do Mundo. créditos: GEORGI LICOVSKI/EPA

"Mas, honestamente, neste grupo há muita seriedade, vocês viram nas últimas partidas. Acredito que estamos no bom caminho, demonstramos que podemos ser muito sólidos e temos que continuar assim", consolidou.

Croácia? "Estamos conscientes de que é uma das partidas mais importantes de nossa carreira"

Ao ser questionado sobre o favoritismo da França contra uma Croácia que disputará pela primeira final da história, Umtiti respondeu: "Não nos vamos pressionar. Viu-se neste Mundial que os favoritos ficaram de fora. Fizemos muitas coisas bonitas, mas temos que voltar à Terra porque temos uma final muito importante. Estamos conscientes de que é uma das partidas mais importantes de nossa carreira", admitiu.

Pogba também sabe e rejeita que a França seja favorita. Nem podia, depois do que aconteceu há dois anos.

“Os croatas tiveram um jogo complicado, estiveram a perder, mas mostraram uma mentalidade muito forte. Há duas equipas na final, uma taça e 90 minutos. Para nós, não somos favoritos. Continuamos onde estávamos no início do torneio. Não temos dúvidas de que, se jogarmos juntos, essa será a nossa maior força. Estamos à procura do sucesso e faremos o que for preciso por isso. Mas também sabemos que a Croácia quer ganhar. Eles não têm nenhuma estrela de campeões [na camisola]. Mas eu também não tenho nenhuma minha, apesar daquela que está no equipamento. Eu quero a minha. A Croácia não é só Modric; há Mandzukic, Rakitic ou Perisic. Até os defesas são grandes jogadores. Não temos um plano para parar o Modric; o nosso plano é ganhar o jogo”.

É um bom plano, um plano que não existia no Euro 2016 depois daquela final antecipada com a Alemanha. Nessa altura só se planeou a festa e não o jogo. Só que agora, tal como há dois anos, está do outro lado a sede de vingar uma geração. Vão estar 11 jogadores que vão querer vingar a antiga seleção croata de 98 e aquela derrota na meia final.

Não há como não tirar as semelhanças com Portugal, seleção da qual a França também foi carrasco. A diferença é que agora os gauleses sabem, temem-nos e isso pode deixá-los mais perto de serem campeões do Mundo.


[Artigo corrigido às 12h56, de 13/07/18, relativamente à convocatória do francês Samuel Umtiti no Euro 2016]

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