Assim como no futebol, também no ténis se vai espreitando nas novas gerações alternativas à hegemonia do Big-3. Sobretudo depois dos 30 anos. Mas os novos heróis prometidos e construídos vão sucumbindo perante os heróis de ontem e ainda de hoje.

Talvez isso ajude as explicar as lágrimas de Rafael Nadal quando venceu pela quarta vez o US Open. As parangonas que tanto o idolatraram no passado foram as mesmas que anunciaram o fim do seu ciclo de grandes vitórias para além de Roland Garros. E são as mesmas que esta segunda feira anunciaram o seu 19º Grand Slam.

Tal como a vitória no US Open em 2017 relançou Nadal ao mais alto nível, após um período de lesões e dúvidas quanto ao seu futuro, o triunfo deste ano representa uma terceira vida do espanhol no circuito.

Num jogo épico, de 4h51 minutos, o maiorquino levou a melhor sobre Daniil Medvedev: 7-5, 6-3, 5-7, 4-6 e 6-4. O russo, 23 anos de idade, é o grande símbolo da nova geração russa Uma geração que conta também com Andrey Rublev e Karen Khachanov. É já o número 4 do mundo, contando com 5 títulos ATP. Três em 2018 e dois este ano (Sófia e Cincinatti). Pela primeira vez atingiu a final de um Grand Slam. Para trás deixou tenistas como Feliciano Lopez, Stanislas Wawrinka e Grigor Dimitrov.

Nadal, por seu lado, teve um caminho espinhoso até à final. Começou por vencer John Millman, escapou-se à segunda ronda por lesão do australiano Kokkinakis, derrotou a sensação do US Open 2018, Hyeon Chung, e seguiu-se Marin Cilic, Diego Scharwzman e Matteo Berrettini. De resto, o maiorquino entrou no restrito lote de jogadores que jogaram 5 finais nos 4 Majors. Os outros foram Federer e Djokovic.

Com este triunfo, Nadal não fica apenas a um passo de igualar Federer como maior campeão de Majors, como está também a um passo da liderança mundial. Noventa e cinco pontos distam agora Djokovic do espanhol.

Lesão afasta Novak Djokovic

Apontado como o grande favorito, diante de Stan Wawrinka na quarta ronda, o sérvio não resistiu à lesão que o acompanhava, desistindo quando perdia por 6-4, 7-5 e 2-1.  A lesão no ombro direito pode originar uma paragem prolongada. Djokovic, 32 anos, está inscrito nos torneios de Tóquio, Xangai, Paris, ATP Finals e Davis Cup Finals, mas corre o risco de não jogar mais até ao final do ano.

Com Djokovic de fora, acreditou-se que Federer poderia chegar ao 21º título. O suíço começou bem o torneio, vencendo Sumit Nagal, Damir Dzumhur, Daniel Evans e David Goffin. O helvético acabaria por cair perante Grigor Dimitrov, nos quartos-de-final. O búlgaro tem feito um ano discreto, sem títulos ATP e, acabou por alcançar as meias-finais do US Open, caindo perante o finalista Medvedev.

Destaque também para Matteo Berrettini. O italiano atravessa o seu melhor ano. Soma dois títulos — Estugarda e Budapeste — e foi semifinalista no US Open. Eliminou os australianos Jordan Thompson e Alexei Popyrin, o russo Andrey Rublev e o francês Gael Monfils.

Desde que o suíço Stan Wawrinka levantou o troféu do US Open de 2016, Nadal (5), Federer (3) e Novak Djokovic (4) ganharam os 12 Grand Slams disputados. Nenhum jogador em atividade com menos de 30 anos tem no currículo um título de major. A vez da nova geração ainda não chegou. Os heróis de ontem e de hoje continuarão a ser os de amanhã. Mesmo quando a melhor geração de sempre do ténis se aposentar. Não importa quem é o melhor, ou quem terminará a carreira com mais Grand Slam. Federer, Nadal e Djokovic, como os diamantes, são eternos.

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