A Alemanha partia para a última jornada da fase de grupos do Mundial em igualdade pontual com a Suécia mas à frente dos escandinavos na classificação, beneficiando do facto de ter vencido os suecos na jornada anterior de forma dramática (uma vez que as equipas tinham a mesma diferença entre golos marcados e sofridos, bem como o mesmo número de golos marcados, o terceiro critério de desempate é o confronto direto, em que os alemãs levavam vantagem).

O último jogo era contra a Coreia do Sul, que ainda não tinha pontuado na competição. À mesma hora, Suécia e México lutavam também por um lugar nos oitavos. Os germânicos foram derrotados por 2-0 pela seleção asiática, ao passo que a Suécia venceu o México por 3-0, carimbando o primeiro lugar do grupo, deixando os mexicanos em segundo e atirando a campeã em título para fora da competição.

Mas vamos primeiro ao México-Suécia. Impulsionados por duas vitórias em dois jogos (uma delas frente à campeã em título, Alemanha), os mexicanos precisavam de de um empate para garantir o primeiro lugar do Grupo F do Mundial. Pois bem, se o 0-0 teimava em persistir no final da primeira parte, os escandinavos entraram a todo o gás na 2.ª parte e marcaram 3 golos (Augustinsson, Granqvist, de penálti, e um autogolo de Edson Alvarez). Com este resultado, ultrapassaram os mexicanos no primeiro lugar e colocou a seleção mexicana em risco de ficar fora do Mundial - os três golos sofridos faziam com que um golo alemão, numa altura em que o resultado entre Coreia do Sul e Alemanha estava 0-0, colocasse o México fora da competição.

Mas no Coreia do Sul-Alemanha a maior supresa estava ainda para acontecer. Dois tentos nos descontos, de Kim Young-gwon, aos 90+3 minutos, e Son Heung-min, aos 90+6, fazem com que os alemães acabem em quarto, com três pontos, tantos quantos os do sul-coreanos.

Os campeões em título ‘escreveram’, assim, o pior resultado de sempre em Mundiais, que era o 10.º lugar de 1938, sendo esse também o único Mundial em que não ultrapassaram a primeira fase da competição. Adicionalmente, desde 1954 que ficavam sempre no ‘top 8’.

Maldição do campeão

A eliminação precoce de um campeão em título não é caso único. Na verdade, nos dois últimos Mundiais foi precisamente isso que aconteceu. E se recuarmos até 2002, verificamos que a mesma situação também teve lugar.

Mas vamos por partes - e cronologicamente, já agora.

Em 2002, a França - campeã mundial em 1998 e europeia em 2000 - ficou no último lugar de um grupo que tinha o estreante Senegal (com quem perdeu por 1-0, naquele que foi o jogo de estreia dos senegaleses em mundiais), Uruguai (empate a zeros) e Dinamarca (derrota por 2-0). Dinamarqueses e senegaleses acabaram por seguir em frente.

(Já agora: esse Mundial foi também de má memória para a Seleção Nacional - recorde tudo aqui, no episódio do Chegámos Lá, Cambada dedicado especificamente à participação portuguesa nessa competição).

Oito anos depois, em 2010, foi a vez da Itália, que havia vencido o Campeonato do Mundo em 2006, realizado na Alemanha (e onde Portugal conseguiu um honroso 4.º lugar), não ir além do último lugar de um grupo composto por Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Dois empates a uma bola com os sul-americanos e a seleção da Oceânia, a juntar à derrota na última ronda do grupo frente aos eslovacos, atiraram os italianos para fora da competição.

No último Mundial - aquele em que a agora-eliminada-Alemanha se sagrou campeã do Mundo - foi a vez de outra seleção campeã tombar. A Espanha, que havia vencido o título em 2010, na África do Sul (eliminando uma seleção portuguesa liderada por Carlos Queiroz para lá chegar, nos oitavos-de-final), não "sobreviveu" a duas derrotas nos primeiros dois jogos do grupo de que fazia parte, frente à seleção do Chile (por 2-0) e, principalmente, da Holanda - derrota por 5-1 num jogo que marcou, claramente, a participação espanhola no Mundial a partir daí. A vitória por 3-0 frente à Austrália, na última jornada do grupo, não foi mais do que uma fraca consolação.

Quatro anos depois, a "maldição" do campeão continua. E o Mundial diz Auf Wiedersehen à Mannshaft.

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