Por estes dias não se fala de outra coisa. Afinal de contas, foram 24 anos de espera para os fãs da Fórmula 1 voltarem a ver uma prova ser disputada em Portugal. Pela primeira vez no século XXI, realiza-se o Grande Prémio de Portugal, desta vez num novo percurso, a ‘montanha russa’ do Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. E se a nostalgia é mais do que suficiente para colocar um país em polvorosa, aqui há mais uma razão para explicar a ‘loucura’ do momento: a série “Drive to Survive” da Netflix.

“A Emoção de um Grande Prémio” é o título em português da série disponível na plataforma de streaming. Já tem duas temporada - e vai a caminha da terceira - e retrata os bastidores de uma época de F1, acompanhando não só a disputa do campeonato mundial, mas também - e sobretudo - o lado novelesco de uma modalidade extremamente fechada, das rivalidades entre pilotos às rivalidades entre construtores e até aos processos de reinvenção de cada equipa.

“Para mim, foi uma das coisas mais importantes que aconteceu à Fórmula 1 nos últimos anos. [A série] conseguiu alcançar pessoas que nem sequer seguiam o mundo das corridas, que estavam completamente desinteressadas e que perceberam como a F1 podia ser um desporto interessante. Mas acima de tudo atraiu um público jovem que também era algo que a modalidade precisa, porque a média de idades que acompanha a F1 é bastante alta”, explica João Cambão, fundador e autor do site F1 PT.

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O jovem estudante de engenharia informática de 23 anos não tem memória de Portugal ser paragem do circuito mundial de Fórmula 1, uma vez que a organização da modalidade deixou o Autódromo do Estoril, após o GP de 1996, por atrasos na melhoria de condições do autódromo. O espaço temporal de quase um quarto de século dá-lhe uma perceção sobre como é que uma geração mais nova se foi desligando da modalidade.

“A F1 teve duas grandes quedas em Portugal. A morte de Ayrton Senna, não vivi isso, mas é inegável que muita gente deixou de seguir F1 depois dessa tragédia. Depois acontece outra queda quando a transmissão das corridas passou da RTP para um canal pago. Não vou dizer que a F1 esteve em perigo, mas a paixão, cá em Portugal, caiu de uma forma preocupante”, explica João.

Com a modalidade mais distante dos fãs, muito por culpa de quem estava à frente da organização - “durante muitos anos, sobretudo quando era o Bernie Ecclestone o manda-chuva da F1, a prioridade era atrair homens de 50 anos e ricos” - a série da Netflix conseguiu estabelecer atrair uma geração mais nova e “um público feminino num desporto que sempre foi muito virado para os homens”.

A prova de que a nostalgia combinada com a série da Netflix conseguiu revitalizar o amor pela paixão dos fãs portugueses de Fórmula 1 está presente no facto de os bilhetes colocados à venda terem esgotado a uma grande velocidade num primeiro momento, tendo os restantes voado à medida que eram disponibilizados nas bilheteiras virtuais do Autódromo do Algarve. No total foram 46 mil os bilhetes colocados à venda, para uma pista com bancadas para mais de 90 mil pessoas, mas a Direção-Geral da Saúde encurtou os limites, limitando a lotação a 27.500 pessoas

O Grande Prémio de Portugal decorre em Portimão até ao dia 25 de outubro.

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