“Eu não venho para aqui aprender, eu venho para aqui ensinar. Eu sou o treinador do FC Porto.”, disse Sérgio Conceição na apresentação oficial como treinador dos dragões. E se “o campeão voltou”, como gritaram adeptos e jogadores hoje, depois do nulo do dérbi em Alvalade, muito se deve aos “ensinamentos do mister Conceição”, o terceiro homem, depois de José Maria Pedroto e António Oliveira, a conseguir vencer o título de campeão no FC Porto como jogador e treinador.

E a verdade é que, logo no final do primeiro treino, Conceição mostrou ao que vinha. “Vamos ter um grupo competitivo, vamos ter um grupo que vai dar trabalho aos rivais e penso que vai ser uma boa luta.” A luta foi boa, de facto – o campeão só ficou decidido na penúltima jornada, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, em Inglaterra, França ou Alemanha –, mas este Porto tem muito do seu treinador no que toca à competitividade.

Conhecido como um jogador aguerrido, que deixava tudo em campo, Sérgio Conceição transmitiu essa agressividade e intensidade a um plantel que começou o ano praticamente sem reforços, fruto das regras do fair play financeiro. Os “retornados” (jogadores que estavam emprestados e que voltaram ao Dragão) foram os reforços com que o treinador portista teve de trabalhar — mas nada que o atemorizasse.

Sérgio Conceição terá sido contratado pelos seus méritos de treinador, mas também para devolver ao clube aquilo que a nação portista considera ser o “ADN Porto”. E a vitória no campeonato deve muito a isso mesmo, à recuperação dessa mística que faz do Estádio do Dragão uma fortaleza, dos jogadores portistas guerreiros e do Porto “uma nação”, como muitas vezes relembram os seus adeptos.

Esse terá sido, sem dúvida, o maior ensinamento que o antigo extremo que, para além dos portistas, passou também por clubes como a Lazio, o Inter, Standard Liège ou PAOK, passou aos elementos do seu plantel. Para além das “ganas” de vencer, claro, visto que, com exceção de Maxi Pereira, todos os jogadores do FC Porto sagraram-se campeões em Portugal pela primeira vez, como lembra o playmakerstats:

“Mete o Marega” e os obreiros do título

Moussa Marega será, sem sombra de dúvida, uma das maiores façanhas de Sérgio Conceição enquanto técnico portista. O avançado maliano, contratado pelo FC Porto a meio da temporada 2015/2016 ao Marítimo, marcou apenas um golo em 13 jogos pelos dragões (jogados nessa meia época). Depois de um frutífero ano de empréstimo ao Vitória de Guimarães (14 golos em 31 jogos), voltou aos dragões para, à partida, ser o número três na hierarquia dos avançados portistas, atrás de Aboubakar e Soares, este último o principal “abono” do FC Porto na época passada.

Contudo, a realidade foi tudo menos essa. Explosivo, o avançado africano tornou-se na principal arma ofensiva dos portistas (é o melhor marcador do FC Porto no campeonato com 22 golos em 27 jogos), tendo a equipa ressentindo-se no período em que o maliano esteve lesionado. Mas este não é o “título de Marega”. O FC Porto jogou o ano todo como uma verdadeira equipa, em que mesmo os jogadores que não começaram a época como opção regular (como Sérgio Oliveira, por exemplo) ou outros que se viram relegados para segunda opção (como Maxi Pereira) foram capazes de cumprir sempre que eram chamados. Mérito — isso mesmo — de Sérgio Conceição, claro.

Apesar de tudo, todas as equipas têm esteios. E se na baliza tanto José Sá como Iker Casillas dividem méritos (o português jogou 14 partidas, o espanhol 19), na defesa é possível falar em quatro intocáveis: Ricardo Pereira (outro “retornado”), Felipe, Marcano e Alex Telles são os principais responsáveis por fazer dos dragões a melhor defesa do campeonato (17 golos sofridos) e uma das melhores da Europa. O defesa-esquerdo brasileiro fez mais, contudo: para além de ajudar na defesa, é o atual “rei das assistências” do campeonato português, com 12 assistências em 28 jogos no campeonato.

No meio-campo, a primeira palavra vai para um jogador que, infelizmente, se encontra lesionado. Danilo Pereira foi, durante grande parte da época (19 jogos no campeonato), o principal tampão do miolo portista. Contudo, o grande destaque tem de ir para o homem que Sérgio Conceição “estranhou” ser o capitão do Porto, no início da época: Héctor Herrera. O mexicano foi “pau para toda a obra” e é dele aquele que pode ser chamado o “golo do título”, no Estádio da Luz, aos 89 minutos, no jogo que voltou a colocar o FC Porto na liderança do campeonato, para não mais a perder. Outro dos nomes é o de Sérgio Oliveira, que passou parte da época passada com Conceição no Nantes e que voltou ao clube onde foi formado para, pelo menos, colocar dúvidas na cabeça de Fernando Santos sobre que centro-campistas levar ao Mundial na Rússia.

No ataque, para além do já citado Marega, é impossível não falar de Brahimi. Um dos maiores talentos a atuar no futebol português, o argelino fez apontou oito golos e distribuiu as mesmas oito assistências, sendo, juntamente com o melhor marcador dos dragões, o principal “desbloqueador” do ataque portista, o melhor do campeonato.

Como disse Ricardo Quaresma em novembro do ano passado, “Sérgio Conceição trouxe de volta a mística do FC Porto”. Com essa mística, veio o título de campeão. E os Aliados voltaram a encher-se de azul e branco.

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